domingo, 30 de abril de 2017

Se for levar chifres, não dirija


Ciduca Barros

Já falamos sobre infidelidade conjugal e suas consequências engraçadas, mas ainda não tínhamos escrito ainda sobre chifre x infração de trânsito. Infidelidade conjugal é um assunto polêmico e delicado. 
Não é o meu objetivo escrever aqui sobre chifre, seja ele masculino ou feminino. Todos nós conhecemos alguém que já traiu ou foi traído, mas o que eu gosto de enfocar são os fatos divertidos que, às vezes, são gerados por infidelidades conjugais. 
Aqui está um desses casos.
Nossa conterrânea, como a grande maioria de nós, caicoenses, é reconhecidamente aloprada. Ela é uma pessoa de excelente caráter, boa mãe, foi boa filha, entretanto a placidez não é seu forte, mormente quando está “agoniada do juízo”. 
Morando em Natal, com os seus filhos na universidade, soube que o seu marido, que ficara lá em Caicó, estava com uma namorada. O que aconteceu, então? Ela pirou de uma vez. Entrou no seu carro e se mandou para Caicó.  
Não sei qual a marca do seu carro naquela época, mas sei que o ponteiro do velocímetro ia no limite máximo.
E foi naquela velocidade desenfreada que ela passou num posto da Polícia Rodoviária Federal. Os policiais ficaram em polvorosa. 
Ligaram para o posto seguinte (sabiam apenas a cor do carro, pois a velocidade não permitiu que vissem a placa) e alguns deles seguiram em perseguição e de sirene ligada no máximo. E conseguiram interceptá-la. E então? Depois de recolherem os seus documentos, veio a pergunta fatal:
– Minha senhora, você sabe a velocidade que a senhora desenvolvia?
– Não sei nem me interessa saber - foi a resposta da vexada. 
– A senhora sabe que poderia ter causado um grave acidente?
Daí a conterrânea respondeu com outra pergunta:
– Seu guarda, o senhor já foi traído? 
E antes que o policial respondesse, ela desfechou:
– Não pode haver acidente mais grave do que levar chifre!


Escritor, funcionário aposentado do Banco do Brasil e colaborador do Bar de Ferreirinha
Postar um comentário