terça-feira, 25 de abril de 2017

Milhões, bilhões, mortes

Ivar Hartmann

À medida que os dias passam, os jornais e tevês informam sobre as delações de executivos de uma das empresas envolvidas com a Lava Jato. Pela quantidade de autoridades denunciadas de todos os níveis do Executivo, Legislativo e membros do Judiciário do Rio de Janeiro, nosso raciocínio se embaralha, nossos sentidos embotam pelos valores: milhão para um, 10 para o outro, 30 para um partido. Milhares para o deputado tal, milhares para o senador qual. Nenhuma pedra se coloca, nenhuma fatura se paga se não houver comissões a pagar pela empreiteira. Se uma obra sai 10, a empreiteira cobra 11 por causa da comissão. Como ninguém é bobo, os arrecadadores, em nome do trabalho que desenvolvem, cobram mais um para si. Então já são 12. Agora, como eu sou a empreiteira e tem estes f. da p. me pedindo dinheiro, melhor é eu ter uma reserva de caixa e vou cobrar 15, porque, desde que eu pague, ninguém tem interesse em fiscalizar meu trabalho. Ao final a obra de um bilhão sai um bilhão e meio na melhor das hipóteses. Isso se não houver aditivos pelo caminho.
Não se trata de mera movimentação de recursos. Trata-se de recursos do erário. O mesmo erário que, tendo dinheiro, paga os leitos hospitalares, a construção das estradas, a manutenção dos presídios. Que paga o funcionalismo e os aposentados. Que fixa os impostos e não devolve nosso Imposto de Renda. Uma máquina: arrecada bem e gasta mal. Muito pior, uma máquina que está matando brasileiros. Por causa das comissões, menos leitos nos hospitais, mais buracos mortais nas estradas, mais bandidos soltos assaltando e matando. Milhares de ocorrências pelo país. Este é um fator importantíssimo, pois mexe com as vidas e a saúde dos brasileiros. As comissões, não interessam o título, propina ou caixa dois, são crimes. Estes crimes mudam a destinação do dinheiro público disponível. Assim os Lulas, Dilmas, Temers, Cunhas, Renans e outros ratos menores, deveriam ser responsabilizados também pelos mortos e feridos que diariamente palpitam nas crônicas policiais ou nos atestados de óbitos por falta de atendimento adequado. O prefeito que desvia o dinheiro da obra pública está matando seu munícipe. Tem que ser visto como um assassino. O parlamentar que embolsa dinheiro vindo do erário tem que ser tratado como coautor de assassinato porque sua ação impediu o bom uso da verba. Bandidos!
ivar4hartmann@gmail.com
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