domingo, 1 de janeiro de 2017

Telefonando pra Jesus


Ciduca Barros

Certo dia, uma funcionária da antiga Agência-Centro Natal (RN), em pleno expediente externo do Banco do Brasil, deu um telefonema muito estranho, que deixou clientes e funcionários sem entender bulhufas.
– Alô, é Jesus? – perguntou ela. 
Após a confirmação de que na outra linha estava realmente Jesus, ela continuou: 
– Jesus!  Aqui é Do Céu! Você ainda tem uísque? 
Certamente, ouvindo a confirmação de que Jesus tinha a mercadoria, ela arrematou:
– Jesus! Guarde dois litros pra mim!
Esse insólito telefonema me fez voltar no tempo e recordar uma seção intitulada “As Aparências Enganam”, que o grande escritor humorístico Millor Fernandes, sob o pseudônimo de Vão Gogo, assinava na antiga e extinta revista O Cruzeiro.
Como alguns de vocês devem lembrar, ele desenhava uma charge que dava margem a pensamentos insólitos. 
Porém, quando explicada na charge seguinte, não aparentava o que antes nos parecia óbvio. 
Na época desse telefonema, trabalhava naquela agência um colega, nosso conterrâneo, chamado Armando Dias, cognominado Jesus, o qual, como bico, vendia muamba. 
Na mesma agência, trabalhando noutro andar, tínhamos uma colega que, na pia batismal da Igreja de Santana, de Currais Novos (RN), recebeu o nome de Maria do Céu, largamente conhecida como Do Céu. Entenderam?
Era véspera de mais um carnaval e a colega Maria do Céu, querendo reforçar a sua adega, desejava comprar, do muambeiro Jesus, algumas garrafas de uísque.

Escritor, funcionário aposentado do Banco do Brasil e colaborador do Bar de Ferreirinha
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