quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Diarreias mentais - XVII

Queimando o dinheiro público

A política do “pão e circo” (panem et circenses) foi como ficou conhecido o modo como os líderes romanos tratavam a sua população, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. O Império Romano distribuía cereais e promovia vários eventos para distrair o povo e afastá-lo dos reais problemas da sociedade romana. Trocando em miúdos: o governo de Roma dava um “cale a boca” para a plebe ficar feliz e, consequentemente, politicamente alienada.
Alguém aí vê alguma semelhança com o que vivemos no Brasil de hoje? Excluam os cereais romanos (a barriga do povo brasileiro está vazia) e recordemos o réveillon que acabamos de comemorar.
Estamos vivendo uma séria crise financeira, com municípios e estados brasileiros falidos e com seus serviços essenciais deficientes, mas acabamos de dispender milhões de reais com fogos de artifício e cantores de expressão nacional, para festejar o réveillon. 
Nos despedimos de um ano de muita carência e saudamos um novo ano repleto de incertezas econômicas e que se vislumbra ser muito sombrio, torrando um dinheiro que não temos. Política do Circo (circenses). 
O que vimos no Réveillon de 2016? Doze milhões de desempregados e milhões de funcionários públicos que estão recebendo seus salários em suaves prestações mensais, batendo palmas entusiasticamente e pedindo bis para as canções dos artistas e das grandes bandas. Todos irradiando felicidade e deslumbrados com as toneladas de pólvora dos milionários engenhos pirotécnicos que explodiram, literalmente, os falidos cofres públicos. Política do Circo (circenses).
Registremos que entre as Prefeituras Municipais e Governos Estaduais que “queimaram” do dinheiro público, há um deles que adquiriu toneladas de fogos na Espanha, naturalmente pagando em euro.
Não sou fatalista! Sou apenas um sertanejo (irmão daqueles que estão lá no Seridó clamando por água), que já viveu muitas crises nacionais, porém temos que ser realistas. Gastar o dinheiro que não temos? Por que não fazer festas mais modestas e compatíveis com as nossas combalidas finanças?
Finalmente, nossos governantes fizeram o que eles fazem com muita competência: reduzir a cinzas o erário público.
Feliz Ano Novo!
Postar um comentário