domingo, 8 de janeiro de 2017

As irmãs de Jesus


Ciduca Barros

Existem pessoas que, mesmo sem se cuidarem, atingem uma idade muito avançada. 
Vimos o grande arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer encerrar a sua caminhada aqui na Terra, com 104 anos de idade, sem nunca ter abandonado a sua cigarrilha. 
No Seridó, apesar da sua culinária rica em substâncias graxas, é comum vermos pessoas com 80 ou mais anos, com pleno controle sobre a sua vida.
Seu Orlando era uma dessas pessoas. 
Beirando os 90 anos, ainda era ativo, mas muito irascível, ranzinza e nem um pouco perdulário. 
Ele era “amarrado”, como se diz popularmente.
Certa feita, época natalina, tocaram a campainha da sua residência e ele foi atender. 
Era um grupo de freiras de uma irmandade lotada na sua cidade, numa campanha para arrecadar fundos para o Natal de crianças carentes do município.
– Bom-dia, senhor! Nós somos “irmãs” de Jesus Cristo!
– Irmãs de Jesus Cristo? – perguntou ele, admirado, pois sabia que já faz mais de 2.000 anos que Jesus nasceu. 
E sem esperar a resposta, arrematou: 
– Vocês estão muito bem “conservadas”.


Escritor, funcionário aposentado do Banco do Brasil e colaborador do Bar de Ferreirinha
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