quinta-feira, 31 de julho de 2014

Maracatu atômico

Heraldo Palmeira*

Eu era muito jovem quando ouvi um professor dizer que um homem é tanto mais universal quanto mais original se mantém ao representar as riquezas da sua aldeia.
Muito tempo depois eu estava numa grande universidade carioca, envolvido com a produção de um evento dedicado à literatura musical. Naquela semana repleta de nomes conhecidos, o público mal passou de meia casa no enorme teatro.
Até que, numa tarde, foi preciso fechar as portas porque não cabia mais ninguém. Na hora marcada, o homem esguio, lépido e fagueiro entrou. Pelo meio dos comuns, como entram os comuns.
Ao tempo em que ia caminhando em direção ao palco e sendo notado, foi levando a plateia à loucura. Antes mesmo de abrir a boca, provocou uma espécie de convulsão coletiva. Todos estavam ali para viver duas horas de pura felicidade.
O homem subiu ao palco. E ninguém me contou, eu vi com meus próprios olhos: quase dez minutos de aclamação apaixonada, sem que lhe permitissem abrir a boca para uma única palavra de saudação.
O homem começou a andar de um lado para o outro, parando no centro e em cada um dos extremos do palco. A cada parada um assobio forte, com os dedos indicadores enfiados nos cantos da boca no melhor estilo moleque, espalhando seu combustível para ampliar aquele incêndio emocional.
Ali estava o homem que alguns acusaram de burguês que apropriou-se da arte popular do povo simples. Ali estava o nacionalista que reagiu mal à bossa nova, por considerá-la filha da influência do jazz. Que abominou o tropicalismo estrangeirado pelas guitarras dos baianos fantasiados de mutantes.
Ali estava quem chamou o maioral do mangue beat às falas, bradando seu nome com sotaque sertanejo: “Chico Ciência”. E que caiu em prantos na alça do caixão em sua morte prematura. Ali estava quem descia o pau em Michael Jackson, Madonna e John Lennon com astúcia de matuto. Sem machucar. Alguém que relativizava os Beatles com um displicente e gracioso “é claro que já ouvi falar deles, mas...”.
Ali estava o imortal que pouco aparecia na Academia Brasileira de Letras. Ali estava o homem acusado de muita coisa, vítima de muitas invejas e maledicências apenas por ser ele mesmo, daquele jeito. Ali estava um homem com coragem para ser original.
Ali estava um guerrilheiro cultural que fez global a arte popular que lhe acusaram de pegar emprestada do povo simples. Que trouxe o mundo para sua aldeia. Ali estava o malabarista da palavra que nos encheu de felicidade por duas horas. Simples, complexo, interativo, dengoso, matreiro, maroto, certeiro, acolhedor, tonitruante, intransigente, delicado, sedutor, sagrado, profano. Engraçado até o talo.
Ali estava, como ele dizia de si mesmo, “um cangaceiro manso, um palhaço frustrado, um frade sem burel, um mentiroso, um professor, um cantador sem repente, um profeta”.
Ali estava uma obra de arte ambulante, um maracatu atômico construído por pitadas populares e eruditas como ninguém jamais misturou. O artesão de um reino cujo mapa seguirá secreto.
Ali estava uma personalidade múltipla, o inigualável Ariano Suassuna. A quem não pude negar, num cantinho escuro daquele palco inesquecível, nenhuma das minhas lágrimas de embevecimento por ver de tão perto tamanha força da natureza.
Um Quixote solitário e genial. Um visionário com seus cata-ventos armoriais soprando brasões inimitáveis sobre a terra brasileira. Um cabra arretado capaz de contrariar o sopro comum ao afirmar que “globalização é o nome novo do velho colonialismo”. Um resistente que jamais cedeu ao computador, preferindo desenhar suas letras maiúsculas com caneta sobre papel antes de convocar a velha máquina de escrever para dar curso ao veio precioso.
Um bicho do mato multimídia manual que destroçou com gaiatice a tecnologia que tentavam lhe apresentar, e que corrigia automaticamente seu nome digitado Ariano Villar Suassuna: “Como vou escrever numa coisa que me chama Ariano Vilão Assassino?”.
Um homem que, no mundo real, me deixa de luto para o resto da vida – como um Chicó ou um João Grilo sem pai, a quem resta se agarrar à proteção de Nossa Senhora Compadecida dessa orfandade cultural. Um homem que, nas terras da Pedra do Reino, seguirá imperador rindo da morte Caetana para todo o sempre. Como cabe aos colossos imortais.
*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.


Veja aqui o relato do dia em que um papangu de vazante tentou converter um maracatu atômico: 

Bossa do Aécio - Samba do Avião

Sabe Aécio Neves, aquele senador mineiro que é candidato do PSDB à Presidência da República?
Ele já foi governador de Minas Gerais, e no seu período de governo mandou construir um aeroporto numa cidade chamada Cláudio.
Coincidentemente, o aeroporto foi construído numa área de terreno pertencente a um tio-avô do candidato.
Um aeroporto pra chamar de meu (no caso, dele).
Em 'homenagem' à obra, um autor desconhecido compôs um Samba do Avião dedicado exclusivamente ao candidato, e batizou de Samba do Aécio.
Clique e confira:

Mulheres que amam demais

Ciduca Barros
Certa feita, eu fiz uma crítica sobre “Cinquenta tons de cinza”, um livro que eu tentei ler.  Eu digo “tentei ler” porque nunca vi tanta baboseira escrita num livro só e, estupefato, dizia em meu comentário como as mulheres, que já ganharam tanto espaço social, familiar e profissional penosamente conseguido através dos tempos, endeusaram (a palavra é esta mesma) um livro em que o autor criou uma personagem que “leva porrada” do começo ao fim. Concluí o meu texto dizendo que o personagem masculino daquele  livro demonstra uma cabal falta de respeito pela mulher, destruindo, mesmo em tese, tudo que a mulher moderna (e grande parte do mundo masculino) condena.
Não aceito mais críticas sobre aquele comentário expresso, bem como, não é minha intenção polemizar novamente, mas pretendo aqui me pronunciar novamente sobre outro livro de cunho feminino: “Mulheres que amam demais”, da escritora, terapeuta e conselheira pedagógica americana Robin Norwood, publicado com grande êxito em 1985. Alguém poderá indagar o motivo de me reportar a um livro escrito há quase trinta anos. Primeiramente, a boa (e polêmica) literatura jamais envelhece. Segundo, gostaria de estabelecer uma correlação entre as duas obras aqui citadas.
Recentemente, lendo uma crônica, escrita em 2011, pela lúcida escritora Martha Medeiros – alô amigo que acha que essa autora escreve para mulheres, continuo lendo seus artigos (e gostando) –,  ela faz referência ao livro  “Mulheres que amam demais”. Nada do que ela diz na sua crônica foi novidade para mim (continuo com o conceito de que o limite da paixão por alguém é o seu amor-próprio, pois não se deve amar mais a outrem do que a si mesmo), mas algo chamou a minha atenção, pois não sabia que, inspiradas no livro da escritora Robin Norwood, em 1994 algumas mulheres fundaram o MADA. Vocês sabem o que é MADA? Não? Explico para quem porventura não sabe: é uma entidade já existente em vários países (inclusive no Brasil) que, assim como a autora do livro, considera o “amar demais” uma moléstia (ou seria um vício?), e visa curar as “viciadas/doentes do amor excessivo”. Entenderam? MADA, sigla de Mulheres que Amam Demais Anônimas, nos moldes do AA (Alcoólicos Anônimos) e NA (Narcóticos Anônimos), é um grupo de apoio a mulheres que “sofrem” com o que elas acham ser um problema: amar em demasia.
Em sessões semanais (assim como AA e NA), as participantes se reúnem, sempre se louvando pelo livro “Mulheres que amam demais”, para discussões objetivando restabelecer a sua sanidade. Parece coisa de novela global? E foi! Portanto, como isto não era do meu limitado conhecimento, me causou sobressalto o fato de o “amor” chegar ao ponto de ser considerado uma patologia (provocando medos e angústias) e, como tal, ser psicoterapeuticamente tratado.
E a correlação existente entre os livros? 
Ah, sim! A autora de “Cinquenta Tons de Cinza”, livro que aumentou consideravelmente o seu patrimônio financeiro e, talvez por isso  teve as continuações, também milionárias, perdeu a salutar ideia de inscrever a sua personagem sadomasoquista no MADA, encerrando assim,  triunfalmente, aquela série de livros e reconhecendo, afinal, o desvio do estado normal daquela criatura.
Escritor e colunista do Bar de Ferreirinha

UTILIDADE PÚBLICA

Tome muito cuidado e alerte os amigos: uma doença mortal, ainda não catalogada da Organização Mundial da Saúde, ataca indistintamente homens e mulheres, ricos e pobres, de qualquer etnia e em todos os continentes!
Ela está sendo chamada de Lasefoia. 
Se você tiver,simultaneamente, três ou mais sintomas indicados abaixo, é sinal de alerta vermelho
1 - um café provoca insônia;
2 - uma cerveja leva você direto ao banheiro;
3 - tudo parece muito caro;
4 - qualquer coisa altera o seu humor;
5 - um excesso alimentar, por mínimo que seja, provoca aumento de peso;
6 - a feijoada cai como chumbo no estômago;
7 - o sal eleva a sua pressão arterial;
8 - numa festa você pede a mesa mais distante possível da música e das pessoas;
9 - amarrar os sapatos provoca dor nos quadris.
10 - a TV lhe provoca sono.
Reiteramos: apenas três sintomas simultâneos são prova irrefutável de que você padece de Lasefoia: lá se foi a juventude!

Maga Nídia inicia campanha de rua

Maga Nídia esteve em Laginhas lançando campanha ao Senado
A candidata ao Senado pelo Partido do Bar de Ferreirinha (PBF), Maga Nídia Piraca estreou na tarde de ontem em Laginhas, sua campanha de rua. 
Ao lado de lideranças locais, conversou com pessoas nas calçadas e portas de suas casas, além de discursar, enaltecendo sua felicidade com a receptividade que estava recebendo.
“Vimos as pessoas felizes em nos ver de novo nas ruas, vindo nos abraçar e isso acontece porque sabem que eu trabalho. A gente começou a campanha de rua pelas ruas de Laginhas que tem muita representatividade na nossa cidade. Todo mundo sabe a minha história. Sabem que estou ajudando Laginhas e agora quero ajudar a tirar o estado desse caos que se encontra, ao lado de Nelhão Benévolo”, disse Maga Nídia Piraca.
Ela caminhou ao lado dos 77 vereadores de todo o estado, além de 55  prefeitos que prestigiaram o lançamento de sua  campanha em Laginhas.

A vida como ela é

Foto: /e
quem concorda?


Dentadas

Este ano eu vou fazer um bico como Papai Noel. Pelo menos o saco cheio eu já tenho.
Caco Dentão

Advertência

adl

A idiotice é vital para a felicidade

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.
Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!
Texto atribuído a Arnaldo Jabor

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Lógica joãoziniana

Uma professora petista do ensino fundamental explicava aos alunos o modo de ser petista. 
Pediu que levantassem a mão todos aqueles que fossem simpáticos ao partido. 
Todos os alunos, por temerem represálias, levantaram a mão, exceto um que estava sentado no fundo da sala. 
A professora olhou para ele e lhe indagou: 
- Joãozinho, por que você não levantou a mão? 
- Por que não sou petista!
- Se não é petista, então com quem se simpatiza? 
- Com os tucanos! 
A professora, inconformada, insiste: 
- Joãozinho, me diga: por que és simpático aos tucanos? 
O menino, muito convicto, respondeu: 
- Minha mãe é tucano, meu pai é tucano, meu irmão é tucano, por isso eu também sou tucano!
- Bem,mas isso não é um bom motivo. Você não tem que ser tucano como seus pais. Por exemplo, se sua mãe fosse uma vadia, seu irmão um meliante, vagabundo e contraventor e seu pai um fraudador e ladrão de dinheiro público, o que você seria? 
E Joãozinho, mais convicto ainda:
- Bom... Neste caso, certamente eu seria um petista!

Voto, sobrenome otário

http://www.zeletron.com.br/wp-content/uploads/2011/05/otario.jpg

Psicologia X Direito

Na biblioteca de uma faculdade, um rapaz perguntou pra uma moça: 
- Você se importaria se eu sentasse ao seu lado?
A moça respondeu, gritando: 
- EU NÃO QUERO PASSAR A NOITE COM VOCÊ!
Todos os estudantes na biblioteca ficaram olhando para o rapaz, deixando-o constrangido. 
Depois de alguns minutos, a moça se aproximou do rapaz e lhe disse: 
- Eu estudo psicologia e sei o que os homens pensam. Você ficou constrangido, não foi?
O rapaz aproveitou a chance e gritou também: 
- O QUE? VOCÊ QUER 200 REAIS POR UMA NOITE? ISTO É UM ROUBO! 
E todos, espantados, olharam para a moça. 
O rapaz se aproximou e disse, ao pé do ouvido, baixinho: 
- Eu estudo Direito e sei como inverter a culpa.

Verdade absoluta

Ajudaria a manter o peso...

Dentadas

Só existem dois tipos de viagens de avião: as tediosas e as fatais! Avião é uma coisa tão ruim que a gente reza para a viagem ser tediosa.
Ariano Suassuna

Cultura ou não?

Mensagem de Chico Doido para Bibica

EXTRA! EXTRA!
Diretamente de seu Plano Astral 6969/69,
o poeta Chico Doido de Caicó
enviou a seguinte mensagem 
psicoalcoolizada para o Bar de Ferreirinha:
"Depois de horas e horas de conversação
metafísico-aristotélico-espiritual com os amigos
Moacy Cirne, Chiquim de Assis, Cascudinho, Maria Boa, Lula
Guimarães, Moysés Sesyom, Frei Caneca,
Patricia Galvão e Oswaldinho de Andrade,
cheguei à conclusão mais lógica e mais sensata:
somente Bibica - uma grande figura humana, 
pelo que pude observar - será capaz de salvar o
 Brasil dos políticos incompetentes
 e criadores de factoides que torram a paciência da
 gente. Bibica é o cara!" Em tempo/1: 
Moacy é caicoense e foi o maior escritor do RN,
Chiquim de Assis aqui citado é São Francisco de Assis; 
Maria Boa foi a dona do cabaré mais famoso de
 Natal nos anos 40, 50 e 60 do século passado; 
Cascudinho é o folclorista e historiador Luís da 
Câmara Cascudo; Lula Guimarães é o poeta 
curraisnovense Luiz Carlos Guimarães; Oswaldinho 
de Andrade é Oswald de Andrade, claro. Em tempo/2:
 Bibica sairá candidato pelo Partido do Bar de Ferreirinha (PBF).

Mudando de canal

Quando acaba a bateria do controle remoto

Promessas

Francisco Itaerço
Faz muito pouco tempo que te disse sim
Ainda é muito cedo para te dizer não
O meu sim, foi até quando eu por um fim 
Ao estoque de amor do meu coração

Por enquanto vou relevando teus defeitos
Da tua parte pode ir relevando os meus 
Não posso imaginar sequer, outro jeito
Separação! Nem pensar. Você prometeu.

Prometeste que só a morte, essa sim
Da minha parte, eu achei muito pouco 
Em se tratando que a morte não é o fim

Tudo bem! Mas lembre-se, não foi o acaso
Quem uniu eu e você, deveras, foi o destino
Cabe ao próprio destino, prorrogar o prazo.

Namorada romântica

Acabando com momento romântico

Cantada


Namorado muito romântico 



terça-feira, 29 de julho de 2014

Vai começar o horário eleitoral

Fotografias arquivam o tempo

Ivar Hartmann

Resolvi dar uma arrumada nas tralhas e papéis que vamos guardando nos gabinetes. Chega um dia ficamos com medo de abrir uma gaveta ou porta de armário e ser tragados pela anarquia. Antes de podermos gritar por socorro! Eu? Eu criei coragem e comecei a arrumação, do lado onde guardo fotos. Desde slides até filmes de 36 poses, que quando reveladas, só 20 prestavam. Antes de chegar nelas, no entanto tinha uma caixa de sapatos, claro, abarrotada de fotografias antigas. Algumas: na crisma da Igreja Piedade e no CTG do Colégio das Dores em Porto Alegre. Vestido de padre e dando a bênção em Guaíba!!! No CPOR, no inverno, em uma coxilha de São Jerônimo (imaginem o frio). Com alguns colegas na formatura em Passo Fundo. Com meus professores e funcionários do Ginásio de Iraí, no Cassino Guarani. Puxa! Iraí já teve cassino e importância. Fotos de amigos, parentes, colegas. De festas ,casamentos e aniversários. Centenas de personagens. Uma patética: reunião dos Rotarys com o Governador, em Carazinho. Eduardo Loureiro, Eurico Nunes e eu fotografados em uma mesa do salão da Convenção. Em pleno sono os três. Entre estas centenas aparece um cabeludo, mas cabeludo mesmo, em uma campanha política, ao lado do governador nomeado Amaral de Souza. Jesus! Já fui moço! Modéstia à parte, um rapagão...
Mas, o que queria dizer é que quando abrimos caixas antigas recebemos presentes sem preço: nosso passado esquecido rememorado no mesmo que levou a foto para ser batida. Pulamos para o passado, lembrando-se dos fatos que nossa mente guardou, mas também esqueceu. E é muito bom. À medida que deixamos de ser crianças ou jovens promissores e nos tornamos adultos com emprego fixo e ao final aposentados, vamos deixando para trás amigos ou parentes que fizeram parte de um momento de nossas vidas. E se uma fotografia foi tirada, ela representa um momento bom destes tempos que merecem ser lembrados, pelo prazer que nos dá. Ou da vida de nossos pais, irmãos, avós, tios, sobrinhos também em bom momento. Passados os anos ficam as lembranças. A única forma que temos de viver 140 ou 150 anos é fazer muito em cada dia, fazer dobrado cada dia, agir em muitas direções e ocupações ao mesmo tempo. No trabalho, nos grupos sociais, nos serviços comunitários, nos encontros de amigos. Vai chegar o momento de achar fotos antigas. Que felicidade ter o que ver e lembrar.

Banda Rolling Stones fará shows no RN em 2015

stones
Stones farão turnê pelo Rio Grande do Norte em 2015
Está em curso um leilão de mais de 30 milhões de dólares para decidir que empresa trará os Rolling Stones ao Rio Grande do Norte em 2015: WG Catingueira ou Melão Music. 
O show rodará Ypueira, Bom Jesus, Currais Novos, Venha Ver, Encanto e Mossoró.

Legendas de caminhão

Amo-te mais que ontem e menos que amanhã
Não sou bombeiro mas apago o teu fogo
Vitamina de chofer é sorriso de mulher
Amor sem beijo é como macarrão sem queijo
O casamento é uma aposentação sentimental
Entre loira ou morena prefiro você
Pobre só come frango quando joga de goleiro
Guarda-chuva de pobre é cachaça
Veja seus erros, depois corrija os meus
Seja pai de seu filho antes que um traficante o adote
Em festa de formiga não se elogia tamanduá
A pedra e a palavra não voltam depois de lançadas
O beijo não mata a fome mas abre o apetite
O amor é um som que reclama um eco
Para amar basta um olhar
Plantei amor nasceu saudade
No oceano da vida eu sou um barco a navegar
A felicidade perdeu o meu endereço
De tão esquecido esqueci de te esquecer
Existo porque insisto.

Exemplo de familia

Piadinha cu de galinha

DOIS VELHINHOS BATENDO PAPO.
- MEU ORGANISMO FUNCIONA IGUAL A UM RELÓGIO.
O OUTRO PERGUNTA: 
- POR QUE?
- TODOS OS DIAS, AS 06:00 HORAS EU MIJO, AS 06:30 EU DOU UMA CAGADA E AS 07 HORAS EM PONTO EU ACORDO.

Divorcio é foda

O que me restou...

Dentadas

Já que eles colocam fotos nos maços de cigarro, deveriam por gente obesa em cada pacote de batata frita, boi morto em cada bandeja de carne, animais torturados nos cosméticos, fotos de acidentes de trânsito nas bebidas alcoólicas, fotos de gente sem teto na conta de água e luz e fotos de políticos corruptos nas declarações de imposto de renda.
Caco Dentão

Brinquedinho

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Seus problemas acabaram!

Zé Mandu

Jesus de Rita de Miúdo*
Hoje fui acordado com a triste notícia da passagem de Zé Mandu (da sinuca), ou Mandu Véi, como eu sempre o chamei.
Tal acontecimento me ocupou em instantes de imensa tristeza e reflexão, aliados, no entanto, das melhores lembranças de alguns momentos de minha adolescência e juventude.
E, mesmo em face da tristeza, eu acabei rindo muitas vezes. Meu riso sendo a melhor homenagem feita ao homem que partiu hoje cedinho.
Alto, magro, esbelto, cabelos completos na cabeça fina, pele morena clara, sempre bem vestido e rosto barbeado, era inseparável do relógio de pulso, do chapéu de massa e do lenço no bolso.
Motorista de pau-de-arara, gabava-se de conhecer o Brasil inteiro. Sabia e dizia orgulhoso de quantas viagens deu ao Sul do País. Agora essa minha memória me trai, esquecendo o numeral.
Não importa. O que importa é que, cansado, parou em Acari terminar de para criar a prole, toda vinda do casamento com a inesquecível Zefinha, esposa zelosa e mãe atenta, principalmente com os filhos especiais.
Vieram de Cruzeta e por aqui fincaram pé. Criaram raízes, fortes, de amizade. A casa toda sempre foi um quartel general de muita alegria.
Bem mais novo que Mariuzan e Antônio, os filhos homens, fui me chegando naturalmente à casa deles, ali na Major Hortêncio, quase em frente da residência de Seu Paizinho. Foi lá que aprendi a jogar Suecas em dupla, formada sempre com Dona Zefinha que insistia em me advertir no primeiro traço do baralho “nunca jogue apostando dinheiro”. O jogo durava até quinze horas, quando Célia – a filha caçula - se levantava para fazer o café da tarde e Dona Zefinha voltava à máquina e suas costuras.
Mandu Véi lá pela sinuca, em minha adolescência, foi me ensinando a tacar. Voltava a jogada, me dizia qual o efeito... sempre ganhava de mim. Quando comecei a vencê-lo (ele não gostava de perder e ficava deveras mal humorado), pôs uma nova regra: caçapa cantada. Assim foi.
Sua sinuca era o point da juventude sem emprego dos anos oitenta todinhos! A resenha começava às oito da manhã, e só terminava quando Maurizan fechava o estabelecimento, sem hora pré-determinada.
O lugar era visitado várias vezes no dia. Uma obrigação dos despreocupados. Sem contar os que passavam apressados na rua, soltando-lhe piadas e provocações, respondidas prontamente com o melhor do bom humor de Mandu Véi.
- Zé Mandu, já cedo por aqui? – perguntava alguém segurando na braguilha.
E ele, fingindo-se sério, juntava os dedos e, sob os óculos fundos de garrafa, apontava aquela mãozona de sertanejo original para a bunda do sujeito, como se desse a volta no corpo do provocador e respondia com o vozeirão “por ali, por ali”. Depois soltava aquela gargalhada inconfundível, inimitável: “Há-aaai”.
Amigo de Papai, há décadas, tinham uma brincadeira de insultos muito engraçada. Costumava chatear o meu velho perguntando-lhe “por quanto, Miúdo, você vendeu a sua outra metade?”, ridicularizando a pequena estatura do amigo.
Depois soltava aquela risadona gostosa de se ouvir.
Mandu Véi era um patrimônio humano da nossa terrinha. Uma espécie de ícone da alegria, apesar das adversidades presentes e vencidas durante toda a sua vida.
No caminho que tomava por nossas ruas, seguia preocupado com os obstáculos da vista curta, sendo insultado na brincadeira pelos incontáveis amigos, respondendo sempre de forma inteligente. Era um bonachão!
Um dia Hernani de Zé Ludugero me informou:
- Ê, Jesus, Mandu Véi anda meio pra baixo. Tem caminhado pouco. Não vem quase mais à rua.
Na mesma hora eu tomei o rumo do seu lugar.
Recebeu-me com aquela alegria toda, aquele semblante genuíno de quem se alegra com a visita de um amigo original.
Fiquei indo de vez em quando por lá.
- Mandu Véi, se aguente por aí – eu falei quando lhe visitei depois do falecimento de Dona Zefinha.
- Ô! – respondeu-me sem pestanejar. – Um homem como eu morrendo se perde a semente – concluiu para rir a sua gargalhada singular.
Hoje cedo partiu. Não se perdeu a semente. Fica plantada, germinando essa saudade que já nasce imensa, da sua presença, do seu jeitão, da sua alegria... da sua gargalhada.
Deixa Mariuzan, Antônio, Célia e a encantadora Maria, moça especial e que ele um dia chamou de “Minha Coroa”.
Vai juntar-se a Dona Zefinha e aos filhos que perderam, especialmente José, seu “Meu Véi”.
*Natural de Acari, devoto de Daguia e blogueiro.