quinta-feira, 1 de abril de 2010

CONVERSA DE BAR

A cigana leu a mão de Mané, mas não fechou o "côipo"
O protesto da cigana

Um sujeito espirituoso, Mané de Afro, ao chegar, certa manhã em dias idos, na farmácia de Severino Chóle em Ouro Branco-RN, encontrou um movimento maior do que o de costume. 
É que estava lá de uma cigana as mãos, decifrando a sorte de algumas pessoas presentes e fechando o corpo de algumas contra a inveja, mal olhado, quebranto, etc. 
Nisto, aproxima-se dele a insinuante cigana e pergunta: 
- O ganjão num qué saber do futuro, não? E fechar seu côipo? eu também faço!
-Ah bom! , e a sinhora fecha côipo, é? Apôi, eu queria que a sinhora fechasse o meu... - comentou, com sarcasmo, o gaiato do Mané.  
Mané tinha como característica uma facilidade enorme para peidar.  
Bastava querer... 
A cigana carregou Mané para detrás de uma porta para melhor ludibriá-lo, e começou em bom romani com aquela algaravia medonha: o ganjão vai ser muito feliz..., vai fazer uma grande viagem..., vai aparecer um grande amor na sua vida... 
E por fim, fez uns sinais místicos no corpo de Mané, pela frente e por trás.
Quando a cigana já estava com a mão estirada para receber a sua paga, Mané perguntou: 
- Qué dizer queu tô cum côipo fechado? É garantido?
-É garantido!... Nada, nem entra nem sai do côipo do ganjão. 
Foi aí que Mané soltou um sonoro e caprichado peido, e fez o seguinte comentário: 
- Êpa!... Parece que num tá muito garantido, não! A sinhora tá vendo qui tem pelo menos um lugar qui tá vazano, né?
A cigana de pele encarquilhada pelos rigores do sol, demonstrando no seu ar de desleixo a experiência adquirida de mil vidas, sentiu-se ultrajada por cair no grotesco trote. 
Tremeu de raiva, deu uma grande “pôpa”, cobriu Mané de desaforo e pragas - as mais medonhas que ela pode imaginar -, e retirou-se muito ofendida do ambiente de galhofas em que se tornou, momentaneamente, a farmácia de Severino Chóle.
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