quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CONVERSA DE BAR

Marcelo Medeiros

Comemorando os 100 mil acessos que se completam hoje, o Bar de Ferreirinha estreia nova seção, destinada exclusivamente aos nossos milhares de clientes e leitores.
É a Conversa de Bar.
Quem tiver uma história legal pra contar, pode enviar pro nosso endereço (bardeferreirinha@gmail.com) que a gente publica.
E a incumbência da estreia coube ao cliente e leitor Marcelo Medeiros.
Divirtam-se:

O carro que eu não esqueci
Marcelo Medeiros

Sim, sem sombra de dúvida, foi ele.
Além de excelente automóvel,meu Passat branco, 1979, três portas, foi também o mais querido.
E, justamente por isso, cheio de coisas pra contar.
Comprei-o em Marpas, ao meu amigo Aurino Araújo, dando como entrada um já sofrido, castigado e alquebrado Chevette.
Ah, que diferença!
Foi como trocar uma velha TV preto e branco por uma colorida, toda sofisticada.
Incrementei o carro o máximo possível.
Foi um tal de colocar roda de tala larga, toca fitas, amplificador e, como era moda e eu era tolo, mandei rebaixá-lo.
O restante do equipamento ficou por conta do meu amigo Line que, viajando a Recife, me trouxe um volante daqueles pequenos.
Uma droga.
Mas como era presente, pegava mal não colocá-lo.
A maior supresa veio na minha primeira viagem a Caicó.
Como o carro era uma bala, eu mandei ver.
E não é que num trecho esburacado, quando não ia a mais de 50 km/h, o volante salta e eu fico literalmente com ele nas mãos?!
Juntamente com o Judas que tínhamos furtado de Timbaúba (era Semana Santa) e uma curriola de amigos, inclusive Lineu, fiquei por conta do humor e da boa vontade desse maravilhoso automóvel.
Tão maravilhoso que sabia até a hora de ficar sem volante.
Em outra viagem, também a Caicó (era Carnaval), durante a qual tomamos 40 latas de cerveja (espero não ser punido retroativamente), Nelhão, meu companheiro de farra, pediu para guiar um pouco.
Queria experimentar o que nós considerávamos "uma máquina".
Seguimos.
Quando ele já estava sob o efeito de umas 20 latinhas de cerveja, olhou pra mim e disse: "Bicho, dá pra você dar uma parada pra eu fazer xixi?".
Eu, com a sobriedade de só haver consumido, no máximo, umas 19 cervejas, fiz ver que era ele quem estava ao volante e mandei que parasse imediatamente e me deixasse pilotar.
Só Deus sabe como chegamos a Caicó...
E, para fechar com chave de ouro, foi também no aconchego dessa maravilha sobre rodas que comecei a namorar a Katita (Kátia, minha mulher).
Foi naquele Passat que fizemos nossa viagem de "Lua de Mel".
Mas isso é outra história e essa eu não conto.

Odontólogo, cliente e leitor do Bar de Ferreirinha
Artigo publicado no jornal Tribuna do Norte, em 24/05/1999
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