De olho no mundo

21 de maio de 2012

cardápio da imprensa
A turma que aprendeu a rimar ideologia com roubalheira tem mais motivos para se aperrear. Tudo indica que o ministro Ricardo Lewandowski entregará, nos próximos dias, o seu voto de revisor do processo do mensalão petista. Com isso, o julgamento dos 40 mensaleiros poderá ser marcado para junho.

Depois de consultorias esquisitas que lhe renderam R$ 2 milhões, o ministro Fernando Pimentel volta às páginas das histórias mal contadas, desta feita a bordo de um jatinho de João Dória na rota Hungria-Itália.
O Brasil mostrou suas credenciais patifes na preparação da Conferência Rio+20. Os preços de hotéis do Rio, que já compõem as tarifas médias mais altas do mundo, ficaram tão extorsivos que muitas delegações estrangeiras ameaçaram reduzir ou cancelar a participação no evento – que já se anuncia um fiasco descomunal por muitos outros fatores. Foi preciso o governo federal entrar no circuito para minimizar a bandalheira dos hospedeiros cariocas. Enfim, uma triste prévia do que deveremos ter durante Copa e Olimpíadas, onde batedores de carteira de todos os segmentos certamente agirão contra os bolsos dos gringos que desembarcarem por aqui.
No início de abril, finalmente o governo brasileiro adotou o princípio de reciprocidade com turistas espanhóis que desembarcam no Brasil, em razão dos maus tratos sofridos por brasileiros em Madri. Parece que o remédio amargo surtiu efeito, pois o chanceler espanhol José Manuel Garcia-Margallo esteve em Brasília para anunciar mudanças nas regras de recepção aos brazucas no Aeroporto de Barajas. Ainda mais porque turista brasileiro ganhou fama de gastador, anda fazendo a festa do comércio de diversos países e dinheiro fala grosso em qualquer lugar.
Apesar de todo o quelelê do governo em torno das taxas de juros dos bancos, o que tem até ajudado na aumentar a popularidade de Dilma Rousseff, a presidente recebe todos os dias relatórios do secretário-executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa, mostrando, a partir de dados do Banco Central, que as quedas promovidas pelos bancos são insignificantes. Com um detalhe: a oferta de crédito diminuiu muito e as tarifas de serviços estão em movimento de alta. Moral da história: quem quiser que perca tempo peitando banqueiro.
Para quem acreditou na idiotice de que o Brasil estava imune a crises, é bom anotar na caderneta dois itens: 1) a queda de vendas de carros, incrementada pela falta de financiamento dos bancos contamina concessionárias e revendas de usados. Diante disso, e apesar de todas as medidas protecionistas que mereceram do governo recentemente – como o aumento do IPI para os importados –, as montadoras preparam férias coletivas e demissões voluntárias e; 2) investidores internacionais e diversos bancos estrangeiros começam a contaminar o mercado com avaliações cada vez mais negativas a respeito do país, principalmente em razão da acentuada intervenção do governo na economia.
Agora não falta mais nada: Carlinhos Cachoeira tem empresa até na Coreia do Norte. O tal do Jing Jing – terceiro da dinastia da miséria que governa o país – que se cuide, pois circulam rumores de que Demóstenes Torres poderia se mudar para lá, para criar a república da roleta, e sair candidato à presidência.
estrategista Zé Dirceu – aquele que promoveu em Ibiúna, à época uma cidade minúscula de apenas 6 mil habitantes, um Congresso “secreto” da UNE com mil estudantes, chamando tanta atenção que todos acabaram presos, em 1968 – convenceu Lula da Silva de que a CPI do Cachoeira seria grande instrumento para jogar fumaça em cima do mensalão petista, atacar a revista Veja, encalacrar o governador tucano Marconi Perillo, além de desmoralizar o procurador-geral da República Roberto Gurgel. O resultado tem sido bem diferente. Os grandes grupos de comunicação se uniram para reagir a esse ataque absurdo à liberdade de expressão e o movimento dos radicais petistas terminou apressando o desfecho do julgamento no Supremo.
Conforme resgata o deputado Silvio Costa (PTB-CE), “No mensalão, quem mais bateu em Lula foi Perillo”. Na época, o governador de Goiás também afirmou publicamente que ele mesmo havia avisado Lula da Silva a respeito da bandalheira petista. Daí vem o ódio figadal que o ex-presidente nutre pelo tucano, a ponto de tentar interferir nos rumos da CPI com vistas a liquidar Perillo politicamente. Não precisa. O goiano já tem problema suficiente, como explicar a quantidade de telefonemas entre seus assessores e Cachoeira, a venda de uma casa sua para o contraventor – o local onde Cachoeira residia quando foi preso – e o fato de, ao lado do senador Demóstenes Torres e do deputado Carlos Leréia, fazer parte do grupo de políticos que defende os interesses da indústria do amianto, insumo altamente cancerígeno e já banido em muitos países do mundo.
A Audi deu um passo gigante para acossar ainda mais a rival BMW, ao adquirir por US$ 1,2 bilhão a italiana Ducati – fabricante de motos de sonhos que começou produzindo rádios nos anos 50. Agora, vai acelerar a concorrência entre Audi e BMW também no campo das duas rodas.
Levando adiante seu processo de expansão mundial – hoje a marca mantém suas linhas de montagem funcionando 24 horas por dia para atender à demanda por seus modelos –, a mesma Audi deverá instalar sua primeira fábrica no México. Com isso, já tem brasileiro comemorando a possibilidade de, a partir de 2016, alguns modelos das quatro argolas chegarem aqui com preços altamente competitivos, em razão do acordo automotivo que vigora entre Brasil e México.
A Marilan, fundada em 1957, teve seu nome escolhido pela comunidade a partir de um concurso realizado com o apoio do rádio. Começou instalada numa área de 600 m2 e fabricava 300 kg de biscoitos por hora. Hoje, ocupando uma área de 67.000 m2, utilizando tecnologia de ponta para produzir 8,5 milhões de quilos/mês vendidos em 50 países, a gigante brasileira está despertando a cobiça do colosso americano Pepsico. Mas está se revelando uma delícia bem salgada: R$ 650 milhões.
Do alto dos seus 91 anos, Dona Ivone Lara está preparando disco novo, só de inéditas, nas ilustres companhias de Bethânia, Caetano e Monarco. Amém.
O mundo da música ficou mais triste com a morte de Donna Summer, aos 63 anos, de câncer no pulmão. A cantora, que reinou absoluta nas pistas da disco music, estava trabalhando em um novo álbum na Flórida, lutando para manter sua saúde longe das manchetes.
O Bar Luiz, instalado na Rua da Carioca desde 1927, além da fama de um chope estupidamente gelado – em razão do tamanho da serpentina –, ganhou nos seus arredores uma atração especial: um mendigo que passa o dia sentado em uma cadeira com uma placa onde está escrito “Informação: R$ 0,50. Se eu souber: R$ 1,00”. Vale um porre e os quitutes espetaculares da casa fundada em 1887.

A Fifa anda desconfiada de que a Arena das Dunas, de Natal, não vai ficar pronta para a Copa. Também não dá mais para colar os pedaços da demolição do Machadão e refazer o velho estádio. Danou-se, é capaz de só rolar a bola da bola!

Zé Prativai, ex-jogador de futebol em campos de pelada, não entende nada de construção. Nem tampouco de bola que não seja feita de couro e câmara de ar.

alarido
Você pode dizer que a imprensa é o resultado do meio, da sociedade em que se insere. Mas, às vezes, por força de um indivíduo ou de um pequeno grupo ela se eleva acima do meio e faz esse meio progredir.”
(Millôr Fernandes, gênio da raça)

“Negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.”
(Antonio Fernando de Souza, ex-procurador-geral da República, que em 2006 carimbou como réus 40 mensaleiros petistas e destinou ao estrategista trapalhão Zé Dirceu o papel de “chefe da organização criminosa”)

“À imprensa cabe vigiar o Estado – nunca o contrário.”
(Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal)

“A mídia é praticamente o único problema do Brasil atualmente. Se não fosse ela, não existiria corrupção no governo popular (o que os olhos não veem, o coração não sente). Infelizmente, a rede parasitária montada pelos companheiros em pelo menos sete ministérios foi parar nas manchetes. Não fosse essa invasão de privacidade, esquemas como o do Dnit com a Delta continuariam firmes na aceleração do crescimento.”
(Guilherme Fiúza, jornalista)

“O ex-presidente (Lula) sabe do potencial de dano ao PT e a seus aliados caso Fernando Cavendish conte como sua Delta conseguiu seus contratos de obras e, em troca, pagava políticos.”
(Otávio Cabral e Daniel Pereira, jornalistas, que também revelam que a Delta despejou mais de R$ 100 milhões em campanhas eleitorais de todas as cores, utilizando os mesmos fornecedores de notas frias que atendem a, pelo menos, duas outras grandes empreiteiras brasileiras)

“Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista Veja, na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta.”
(Trecho de editorial do jornal O Globo)

“As gravações registraram vários contatos entre o diretor da Sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Jr, e Cachoeira. O bicheiro municiou a reportagem da revista com informações e material de vídeos/gravações sobre o baixo mundo da política, de que alguns políticos petistas e aliados fazem parte.”
(Idem)

“Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de Veja estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca.”
(Idem)

“Policarpo (Junior) não é propriamente admirado entre aqueles políticos que se movem nas sombras do poder. Como repórter, foi autor de inúmeras reportagens que revelaram gigantescos esquemas de desvio de dinheiro público e abreviaram a carreira de muitos corruptos. É dele a reportagem que deu origem ao escândalo de mensalão.”
(Ricardo Noblat, jornalista)

“A campanha do PT contra a imprensa reincide em velhos jargões autoritários do passado, cometendo, desta vez, um erro crasso: o de querer fulanizá-la. O repórter de Veja, Policarpo Junior, tornou-se o alvo da atual investida. E o que fez ele? Cumpriu sua função. Ouviu uma fonte – no caso, Carlinhos Cachoeira –, em assuntos nos quais o contraventor tinha mais informações do que a própria polícia.”
(Ruy Fabiano, jornalista)

“Qualquer um que já tenha exercido o ofício sabe que é indispensável ouvir todos os lados envolvidos numa história. Não importa se a informação está no inferno: terá que buscá-la onde estiver. O que fará com ela são outros quinhentos. Policarpo publicou-a, prestando um serviço público; Demóstenes Torres, o senador, vendeu-a a um contraventor.”
(Idem)

“Se eu fosse da CPI, chamaria o médium (João de Deus), mas para tirar o mau espírito incorporado no senador Fernando Collor. Dia desses, o ex-presidente teve um surto psicótico, durante uma sessão secreta da CPI, que assustou até os mais incrédulos dos ateus.”
(Jorge Bastos Moreno, jornalista)

“Eu estou aqui pelo Policarpo! Eu só quero o Policarpo! O Policarpo é meu!”
(Fernando Collor, senador, escancarando seu interesse pessoal revanchista durante o surto psicótico revelado por Jorge Bastos Moreno, bradando contra o respeitadíssimo jornalista da revista Veja Policarpo Junior)

“A relação do PMDB com o PT vai azedar na CPI. Mas não se preocupe você é nosso e nos somos teu.”
(Cândido Vaccarezza, deputado, em mensagem de celular enviada para o governador papangu Sérgio Cabral, num idioma parecido com o português, mas que deixa no ar uma clara impressão de conchavo)

“Eu não estava mentindo! Estava escrevendo ficção com a boca.”
(Homer Simpson, filósofo da cretinice humana)
moleskine
É estranho como a morte de uma pessoa que nunca vi pessoalmente pode me trazer uma tristeza tão próxima. Donna Summer esteve em minhas mãos de DJ incontáveis vezes na virada dos anos 70/80, quando eu era responsável pelas pickups de algumas boates de sucesso em Natal (Augustus e Apple). Cantora extraordinária, linda, era um bálsamo quando sua música invadia as pistas – Last dance, Hot stuff, Bad girls, a monumental McArthur Park... Em 1977, com o estrondoso sucesso de I feel love, primeira música gravada com acompanhamento exclusivo de sintetizadores (pilotados por Giorgio Moroder), ela influenciou diretamente o desenvolvimento da disco music e do techno. Estou triste e com saudades de tempos espetaculares onde Donna Summer foi, indiscutivelmente, a grande rainha.
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