segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Verdade perene

MONIZ BARRETO 

Morre no prado a flor; a ave nos ares
Ao tiro morre do arcabuz certeiro;
Morre do dia o esplêndido luzeiro;
Morrem as vagas nos quietos mares;

Morrem os gostos, morrem os pesares;
Morre oculto na terra o vil dinheiro;
De encontro ao peito, que as ampara inteiro,
Morrem as setas dos cruéis azares;

Morre a luz; morre o amor; morre a beldade;
Na virgem morre a cândida inocência;
Morre a pompa, o poder, morre a amizade.

É de morte sinônimo a existência;
No mundo é só perene a sã verdade;
Só não morre a virtude, a inteligência.