terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Quem são os colombianos

Ivar Hartmann

Da Quinta de Bolívar, no sopé de Montserrat, uma rua estreita, com calçada de pedra e coloridas casas antigas, desce até o centro de Bogotá. O homem se aproximou: “Tome cuidado porque aqui arrancam as máquinas fotográficas e os ladrões são muito rápidos!” E continuou subindo a rua pela qual eu descia mais distraído que idoso depois da sesta. No outro dia, falei com um taxista que estava na porta do hotel. “Quanto o senhor me cobra para levar a Catedral de Zipaquirá?” a Catedral subterrânea construída em uma mina de sal é espetacular. O taxista começou me explicando que ela ficava em uma pequena cidade, há uns 50 quilômetros em uma estrada com muitas curvas e sobe/desce e que o trajeto era de hora e meia. Lembrei logo dos taxistas de Buenos Aires, acostumados a furtar os dólares dos distraídos turistas brasileiros. Mas aí o homem continuou: “O senhor pode ir de trem ou ônibus que são mais baratos e tem várias frequências diárias. E pode pegá-los aqui perto!” Pensei que o sujeito era louco ou não conhecia os brasileiros: como dava informações deste tipo, contrárias ao seu negócio? O que ele devia fazer era complicar e ficar quieto sobre as outras possibilidades. “E – continuou – o senhor para conhecer a Catedral, tem de pensar em aproveitar um meio dia para isso!” 
Claro, a honestidade me comoveu. Fui com o tal taxista no outro dia. Ele foi me mostrando o que havia no trajeto e, quando estacionou na frente da Catedral, em baixo de uma árvore copada, me disse: “Não temos pressa para ir embora. O senhor veja tudo devagar por que é muito lindo!” Este o espírito dos colombianos que conheci. Poderão me dizer: mas o Pablo Escobar é de lá. Fácil responder: O Al Capone é americano e o Renan é brasileiro. Mas ninguém julga um país por seus ratos. Isso para dizer que, o comportamento da população e do Atlético Nacional de Medellín em homenagem as vítimas do acidente com a Chapecoense, só na Colômbia mesmo. Ou existe algum outro lugar no mundo onde os torcedores lotam um estádio e as ruas próximas e dão um pico na audiência televisiva, para homenagear e prantear o adversário da véspera? Ou a insistente Diretoria de um Clube que, em homenagem aos jogadores mortos, pede que se dê a eles e não ao clube que representam, um título da envergadura do Campeão da Copa Sul-americana? Colombianos: esta gente tem que emigrar. Está fazendo falta no Brasil.
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