terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Quem matou nossos jovens?

Ivar Hartmann

No grito das torcidas, o piloto e o copiloto da companhia boliviana eram dois filhos da p***. Tenho sobrinhos e amigos pilotos de companhias aéreas nacionais. Duas vezes ao ano fazem exames e respondem a baterias de testes de capacitação e saúde; se o piloto passa nos testes está bem de saúde e conhece sua profissão. Quando estiver em seu assento na cabine de comando, é apto para fazer a análise fundamental: verificar equipamentos, instrumentos, passageiros e carga. Uma coisa que estes testes não dizem, mas, baseado na inteligência dos americanos está implícito, é que ele pode responder as perguntas: este voo é seguro? Eu chegarei incólume ao meu destino? A resposta sim é a garantia dos passageiros. Desta formação profissional resulta que, quando há crise como a atual no Brasil, nossos pilotos, querendo, com alguma facilidade, encontram emprego nas ricas companhias do Oriente Médio. Será que uma empresa aérea que se abriga, ou melhor, se esconde, na legislação boliviana, tem este material humano disponível, ou, por outra, qual o piloto de linha área brasileira com coragem suficiente para pilotar um avião de tarifa barata da Bolívia?
Tarifa barata. Este é o ponto. Nenhuma empresa, e um clube de futebol é uma empresa, compra um parafuso sem concorrência. Qual o preço que a Gol, COPA ou Azul propuseram para este voo charter? Que preço tão menor fez com que a escolha caísse nesta maldita boliviana que ainda exigia um transbordo, cansando mais os atletas, nas vésperas do jogo? Quem examinou os documentos desta companhia para dizer que ela era idônea o suficiente para embarcar mais de setenta brasileiros, a maioria jovens profissionais, com todas suas vidas e anseios pela frente? Que exames bianuais fizeram e aonde, este piloto e copiloto que não pousaram para abastecimento obrigatório em Bogotá porque sem ele, e eles sabiam, o avião corria sérios riscos de cair? Resumindo é isso: este avião não vem de fábrica com autonomia para fazer um voo sem escalas de 3.000 km. Se os pilotos não sabiam, não podiam ser pilotos. Ou não conheciam os manuais? Ou o piloto- proprietário do avião estava acostumado a desrespeitar os planos de voo obrigatórios da aeronave para decolar? Estava sem dinheiro? E, muito, muito importante: quem contratou esta companhia aérea e examinou sua qualificação para levar os membros do clube nesta viagem suicida?
ivar4hartmann@gmail.com