domingo, 11 de dezembro de 2016

O Leão e o veado


Ciduca Barros

Caramba! O título desta história nos remete às histórias infantis do tempo da carochinha. Realmente, ficou parecido com uma história infantil do “reino animal”, mas o Leão aqui citado é aquele da Receita Federal. 
E o veado? Deixa pra lá e leia a história, mas saiba que ela é politicamente incorreta.
Atualmente, está totalmente modificado, mas, antigamente, logo que o Ministério da Fazenda, do Governo Federal do Brasil, criou o CPF (Cadastro de Pessoas Físicas), o objetivo real era apenas cadastrar as pessoas que declaravam imposto de renda. Hoje, está mudado, pois até criança de colo pode ter o seu CPF. Assim, o Cartão Identificador do Cadastro (CIC), precursor do Cadastro de Pessoa Física (CPF), só era fornecido na Receita Federal (ou em suas coletorias do interior) mediante questionário para constatar se o cidadão era (ou não) um contribuinte (ou futuro contribuinte). 
Naquele tempo, numa localidade do Seridó, um conhecido homossexual da cidade procurou a Coletoria Federal local com o objetivo de também ter o seu CIC (ou já era CPF?). O nervoso Coletor Federal, cidadão que estava prestes a se aposentar, foi quem entrevistou o cara:
– Você vai se empregar? – foi a sua primeira e seca pergunta.
– Não, meu amor – foi a resposta delicada do requerente, com todos os trejeitos a que tinha direito.
– Passou em algum concurso, vai assumir algum cargo público?
– Jamais, meu lindo! 
– Vai montar algum negócio comercial? – foi outra pergunta do coletor denotando ficar cada vez mais irritado.
– Nem morta, amor – foi a resposta do aspirante ao cadastro, revirando o olhinhos. 
Então, o neurastênico coletor fechou o seu despacho:
– Meu filho, pra dar o cu não precisa de CPF não!

Escritor, funcionário aposentado do Banco do Brasil e colaborador do Bar de Ferreirinha