domingo, 18 de dezembro de 2016

O bom de cama


Ciduca Barros

Nós homens temos uma vaidade boba e sem sentido. Estamos sempre preocupados em saber se temos um bom desempenho sexual. Existe homem que vive tão preocupado com esse assunto, que, após o ato sexual, chega a fazer a infame e idiota pergunta à sua parceira:
– Foi bom pra você?
Vocês já observaram que as mulheres não têm essa inquietação? Para elas pouco importa se os homens gostaram ou não e nunca está em jogo o desempenho delas na alcova. Vocês jamais irão ouvir de uma mulher esta estúpida frase:
Foi bom pra você, amor?
Elas não estão nem aí para o que o homem pensa ou deixa de pensar sobre o que aconteceu na cama. Fiz esta extensa e tediosa introdução para que o leitor possa entender perfeitamente a historieta que passarei a narrar.
João Canabarra, que sempre se alimentou com pratos da culinária seridoense, era um peso pesado: media 1,80m e o seu peso tinha três dígitos. Ele era o que costumávamos chamar de “trator de esteira”. Como a maioria dos homens, também era preocupado com o seu desempenho sexual. Estava sempre ansioso de agradar à parceira.
Um belo dia, conheceu uma garota. Conversa vai, conversa vem, terminaram na cama de um motel. Durante a dinâmica do ato sexual, segundo ele mesmo contava, nunca ouviu uma mulher gritar tanto. Ela gritava, chorava, urrava e pedia socorro sem parar.
Ele, sentindo-se realizado pelo prazer que estava proporcionando, julgava-se um verdadeiro garanhão. Ele se achando um verdadeiro atleta sexual e ela gritando desesperadamente:

Você me mata! Estou morrendo, amor! Valha-me Deus! Socorrooooo!
Depois de ouvir, com grande satisfação e prazer, aquela mulher invocar todos os santos do céu, eles chegaram ao final do embate. E ainda com um largo sorriso de orgulho no rosto feliz, quando se “apeou”, ele ouviu a frase que explicou a causa de tanta lamúria:
Ufa, que alívio! Que homem pesado, meu Deus! Se eu não morri sufocada hoje, não vou morrer nunca mais!
E ainda ofegante, arrematou:
Jesus! Este homem parece um guarda-roupa de quatro portas!

Escritor, funcionário aposentado do Banco do Brasil e colaborador do Bar de Ferreirinha