terça-feira, 20 de dezembro de 2016

De novo, é Natal!

Ivar Hartmann

Para mim festa mesmo, aniversário mesmo, é o dia 25 de dezembro. Quando vemos as lojas enfeitadas, os shoppings com decoração transbordando e as cidades com as ruas iluminadas por milhões de lâmpadas coloridas de Natal, não há como não ficar alegre nosso espírito, por mais sombrio que ele esteja. Dizem que o Natal é uma época muito ruim para quem está sozinho. Talvez porque lembre Natais maravilhosos do passado. Querendo ou não, não adianta, temos de construir pontes da nossa tristeza para o espírito comum das pessoas que transitam ao nosso redor carregando filhos pelas mãos em busca dos desejos que Papai Noel vai procurar atender. Se seu bolso der... Na minha casa meus pais faziam questão de comemorar o Natal com um pinheiro natural, enfeitado com centenas de bolas de todas as cores e tamanhos. Talvez por eu ser pequeninho, ele era enorme. As bolas eram daquelas, ploft! Que quebravam quando caiam no chão. Uma festa que durava dias. Que se sentia no próprio comportamento de meus pais e irmãos maiores. Tão forte que levei o costume para a vida.
Já adulto, teve um ano em que estávamos apenas os três irmãos em Porto Alegre. Nossa irmã morava longe, nossos pais estavam em São Francisco de Paula e o dinheiro estava muito curto. Então um irmão e eu resolvemos que daríamos presente apenas para o mais velho, apenas para lembrar que era Natal. Uma cinta. Comprada na Av. Borges. Este foi o presente trocado entre três adultos. “Que triste”, dirão vocês. Verdade. Tão ruim que ainda lembro. Assim como lembro o quanto ele estava distante dos Natais a que estávamos acostumados. Felizmente Deus provê. Os 25 de dezembro seguintes já não recordo, seguramente porque ficaram dentro da normalidade a que estava acostumado. Com tantos milhões de pessoas que perderam os empregos o que se reflete nas suas famílias, temos de pensar: vamos deixar passar este Natal sem comemorações? Presentes entre os adultos talvez não dê para trocar porque aumenta a conta vermelha. Para as crianças um sapatinho ou vestido? Um carrinho ou boneca? Bolo e a comida melhorada são possíveis. No entanto há um lugar onde se pode comemorar o Natal sem gastar, onde as energias positivas fluem, onde nosso coração pode descansar e nosso espírito aflito vai encontrar conforto, segurança e, sobretudo, fé de que o ano que vem será melhor. Nossa Igreja. Com nossos irmãos. Feliz Natal amigo!
ivar4hartmann@gmail.com