terça-feira, 29 de novembro de 2016

O golpe do tuk tuk

Ivar Hartmann


Antigamente no Brasil, o baú, essa peça retangular de madeira com uma tampa normalmente convexa, era móvel com chave, fundamental dos quartos dos donos da casa. Necessário para guardar dinheiro, joias e roupas. Hoje é mais usado como decoração até porque quartos e salas cada vez são menores, pelos prodígios dos arquitetos e engenheiros. Daí que, como o dinheiro nele ficava guardado, as pessoas diziam que o homem que casava com mulher muito mais rica que ele, tinha dado “o golpe do baú”. O “tuk tuk” é um antigo invento tailandês. Conhecido em português como riquixá  é um meio de transporte de tração humana em que uma pessoa puxa uma sege de duas rodas onde se acomodam mais uma ou duas pessoas. Existem modelos movidos a pedais, a tração humana (riquixá) e a motor (auto-riquixá), Neste motorizado virou triciclo, o homem substituído pelo motor. Pequenas motos ou vespas foram providas de cabine e servem como veículo de passageiros ou mercadorias, usado em alguns países europeus pelas facilidades no trânsito de ruas estreitas. Foi em Portugal onde ele ganhou status de veículo turístico oficial. Começou por Coimbra, mas hoje Lisboa é o paraíso deste transporte usado em grande quantidade pelos turistas que, até por motivos de segurança, estão preferindo a cidade ante outros destinos onde a ameaça terrorista é permanente como Paris e Madrid.
Não obstante as ladeiras da cidade, Lisboa tem hoje mais de duzentos “tuk” que fazem concorrência aos taxis. Sem a violenta rixa brasileira entre taxi e uber. De manutenção mais barata cobram metade do preço destes. Para atender as normas de trânsito, atrelam aos dois lados da motinho, depois de sacar fora os guarda lamas, um chassi reforçado e sobre ele um receptáculo em forma de triângulo. Assim o motorista vai à frente e no único banco traseiro, lugar para dois passageiros. É um bom investimento. Então, conheci o Luis Pereira (só podia), moço, motorista da Tuk a Look que tem uma frota de mais de dez veículos. Conversa vai, conversa vem, ele contou que a maioria dos motoristas é composta por jovens universitários lisboetas, como ele. No seu caso, trabalha há mais de três anos na empresa que estava crescendo. “E tu és casado?” perguntei. “Sim – respondeu – com a filha do dono!” Era impossível se conter: “Mas tu deu o golpe do tuk tuk rapaz!” Ele desatou na gargalhada. Lá também o dito é o mesmo.
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