domingo, 6 de janeiro de 2013

Universidade Federal do Seridó Norte-rio-grandense


Governador José Augusto Bezerra de Medeiros
6 de janeiro de 2012
Universidade Federal do Seridó Norte-rio-grandense

Novo ano, novas lutas, novos sonhos. O futuro acaba de chegar. Não podemos recolher nossas forças por conta de frustrações, lamentos, decepções ou cansaço. Temos de continuar a luta em prol do bem estar e do desenvolvimento da comunidade, principalmente preparando a mocidade para os novos tempos.
Sigo nesse particular as pegadas dos dois maiores caicoenses com os quais tive a felicidade de conviver durante muitos anos do século passado: José Augusto Bezerra de Medeiros e Dinarte de Medeiros Mariz.
Ambos foram lutadores incansáveis pela expansão, modernização e democratização da educação no Rio Grande do Norte, cada qual de conformidade com as possibilidades da sua época.
José Augusto expandiu e modernizou o ensino fundamental no estado, aqui mesmo em Caicó ainda continua de pé o velho Grupo Escolar Senador Guerra, no qual ingressei em 1948, para, concluído o curso primário, continuar meus estudos no Ginásio Diocesano Seridoense. Terminado o curso ginasial, porque queria ser advogado, tive de deixar Caicó e ir morar na Capital.
Três dos meus cinco irmãos, dois porque queriam ser médicos e um porque queria ser engenheiro, tiveram de ir para Recife, de onde nunca mais retornaram a morar em Caicó.
Naquele tempo Curso Ginasial, para o sexo masculino, só mesmo o Ginásio Diocesano, particular, pertencente à Diocese.
Depois, chegou até aqui o ensino médio completo, possibilitando aos jovens caicoenses saírem daqui aptos ao vestibular para ingresso no ensino superior.
Senador Dinarte Mariz
Hoje, em pleno século XXI, vejo quase que a repetição das dificuldades dos velhos tempos da minha juventude concluinte do curso ginasial em 1952.
Dinarte Mariz, seridoense de fibra longa, criou a Universidade. Anos depois chegou a Caicó o Campus com cursos nas áreas das ciências humanísticas e sociais. E eu sou testemunha presencial da luta do velho senador para conseguir essa vitória.
Mas os tempos são outros. É chegado o ano da Universidade Federal do Seridó.
As cidades seridoenses, principalmente Caicó e Currais Novos, estão prenhes de cursos superiores ministrados por faculdades particulares, cujas mensalidades poucos podem pagar, a não ser o Governo Federal, quando custeia as bolsas destinadas a alunos carentes. O próprio Estado do Rio Grande do Norte mantém no Seridó o seu Campus Universitário.
Hoje em dia parece até que a situação piorou em relação ao meu tempo de estudante. Naquela época éramos nós que saíamos muitas vezes para nunca mais retornar definitivamente à terra natal. Ficávamos pelas capitais onde íamos estudar. Agora assistimos ao vai-e-vem de professores que comparecem para ministrar sua aula e só é visto de novo por aqui na semana seguintes. Muitos sequer conhecem a cidade. Nunca criaram vínculo algum com a sua população ou com as famílias do lugar! Vêm aqui apenas faturar os salários pagos pelas aulas semanais, tão rápidas como vôos de pássaros.
O seridoense há muitos anos clama pelo ensino superior local.
É preciso que a Universidade Federal do Rio Grande do Norte ouça esse clamor e a ele se reúna para a criação da Universidade Regional.
Basta lembrar que, logo após a minha posse como prefeito de Caicó, em 1969, depois de longa conversa com o Senador Dinarte Mariz e com o mais ilustre dos caicoenses, José Augusto Bezerra de Medeiros, desencadeei movimento regional pleiteando a implantação do ensino superior em Caicó, objetivo para o qual criei uma fundação municipal e consegui firmar convênio intermunicipal com todas as prefeituras do Seridó, à exceção do município de Jucurutu, cujo Prefeito da época, alegando dificuldades financeiras do erário, não pode assinar o documento histórico.
Foi o primeiro convênio intermunicipal entre as Prefeituras do Seridó. E também o primeiro desse gênero já incrementado no Rio Grande do Norte. É o registro mais expressivo da vocação seridoense para a educação do seu povo.  Os prefeitos, reunidos para abrir o caminho em busca desse grande objetivo regional, abriam mão de parte dos recursos financeiros provenientes do Fundo de Participação destinado a seus municípios em favor de uma faculdade em Caicó!
Datado de 26 de março de 1972, o documento foi assinado pelos Prefeitos Francisco de Assis Medeiros, de Caicó; Mauro Medeiros, de Parelhas; Juvenal Medeiros, de São Fernando; João Antônio de Oliveira, de Equador; Francisco Pereira Filho, de São Vicente; José Isaias de Lucena, de Ouro Branco; Cícero Simão Bezerra, de Cruzeta; Hermes Fortunado da Silva, de Serra Negra do Norte; Daura Saldanha da Cruz, de Jardim de Piranhas; Ivam de Araújo Gorgonho, de Ipueira; Givaldo da Silva Medeiros, de Jardim do Seridó; Silvino Bezerra Filho, de Acari; Valdemar Cândido de Medeiros, de Carnaúba dos Dantas; Moises Sátiro da Silva, de Santana; Francisco Joventino de Medeiros, de Lagoa Nova; José Julião Neto, de Cerro Corá; Francisco Nobre de Almeida, de Florânia; Agostinho Santiago de Brito, de São João do Sabugi; João Bosco Costa, de São José do Seridó e José Damasceno Batista, de Timbaúba dos Batistas,
Tenho forte convicção de que, decorridos 40 anos desse ato histórico, hoje persiste o mesmo entusiasmo cívico nos ideais dos atuais prefeitos de todo a região em torno da criação da Universidade Federal do Seridó Norte-rio-grandense, uma necessidade imperiosa que não pode continuar sendo preterida pelos poderes competentes.
Procurador federal e ex-prefeito de Caicó - www.culpoblogue.com

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