Por Fabricio Carpinejar
O homem sempre é atrasado para amadurecer.
Na escola, a menina anseia namorar e ele pensa unicamente em futebol.
A menina de doze anos formou seu corpo e pisou na adolescência e o guri da mesma idade ainda está imberbe e não tem nenhum interesse em largar as briguinhas com os colegas.
Temos um retardo de três anos em relação ao time feminino.
Na vida adulta seguimos levando surra.
A revolução sexual chegou muito antes para elas.
O macho agora que se deslumbrou em fazer sexo oral, por exemplo.
É emblemática sua necessidade de posar como moderno.
Não abdica da preliminar.
Sua primeira atitude na transa é se dedicar a chupar sua parceira.
Nem tirou a roupa e está chupando.
Cheio de boas intenções, ele se perde.
Confunde o oral com maratona.
A mulher ou dorme ou cansa de esperar a penetração.
Homem, quando busca agradar, exagera.
E o exagero é broxante, pois ultrapassa a linha do prazer para desembocar na compaixão.
Obcecado em se tornar inesquecível, não equaciona o recado: a mulher não quer massagem, mas sexo.
Um dos seus erros é se ressentir do papai-mamãe.
Acha que é um modelo antiquado, anacrônico, que lembra seus avós.
Adota variadas acrobacias, menos papai-mamãe.
Para não ser acusado de conservador e machista, não desce mais da gangorra.
O homem vem sofrendo um medo tremendo de ser homem.
Um pouco mais e o papai-mamãe será extinto, injustamente.
É a posição mais romântica, mais sincera, mais transparente que existe.
É feita para quem ama de verdade.
O papai-mamãe é olhar nos olhos, é oferecer o peso do corpo, é confessar o pulmão.
São as pernas firmemente entrelaçadas.
São os seios comprimidos no peito.
São os braços estendidos em oferta.
Complica para qualquer um fingir orgasmo, complica para qualquer um fugir com a imaginação.
É o encaixe perfeito para arranhar as costas, morder o pescoço, cochichar aos ouvidos.
Movimento obsceno e messiânico, rude e suave.
No papai-mamãe, você pode ciscar um beijo enquanto o outro estiver gemendo, você pode observar o outro gozando, você pode segurar a mão para mostrar que não há desigualdade no grito.
Aliás, só no papai-mamãe as pessoas andam de mãos dadas também na cama.

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