31 de julho de 2012
cardápio da imprensa
Enfim, chegamos à semana de estreia do esperado julgamento do mensalão petista. Para muitos especialistas, o maior julgamento da história brasileira. No centro da cena, o Supremo Tribunal Federal e a expectativa da sociedade para que seus ministros julguem os réus da forma mais equilibrada possível e não se acanhem em aplicar penas que se apresentarem inequívocas. Há quem aposte numa tendência de punição por parte do STF, como forma de acabar com o sentimento de impunidade generalizada que assola o país. Mas também há bolsas de apostas em que predominam as previsões de absolvição. Para o ex-presidente do Supremo Carlos Velloso deverão ocorrer absolvições e penas mínimas, porque os réus são primários e sem antecedentes criminais.O ministro do Supremo Dias Toffoli afirmou a amigos que não vê motivos para declarar-se impedido de participar, como juiz, do julgamento do mensalão petista. Com a palavra, o jornalista Josias de Souza: "Toffoli foi enviado ao Supremo por Lula, de quem é amigo e a cujo governo serviu como Advogado-Geral da União. Antes, trabalhara como assessor da Casa Civil na época em que a repartição era chefiada pelo réu José Dirceu. Antes, advogara para o PT junto à Justiça Eleitoral. Antes, fora sócio no escritório da advogada Roberta Maria Rangel, sua atual namorada, que já respondeu pela defesa dos réus mensaleiros Professor Luizinho (PT-SP) e Paulo Rocha (PT-PA). Antes, atuara como assessor da liderança do PT na Câmara. Ou seja, nunca antes na história centenária do Supremo um ministro carregou na biografia tantas razões para declarar-se impedido de atuar num processo. Mas Toffoli não se dá por achado".
Talvez esteja na afirmativa do prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho, ex-ministro do governo Lula da Silva, a melhor explicação para o petismo sequer considerar a possibilidade de Dias Toffoli declarar-se impedido: “Ele não tem esse direito”. Ou seja, o homem parece não ser reconhecido apenas como um ministro do Supremo que é, mas, também e sempre, como um militante do PT e devedor de fidelidade partidária.
Há um grande trabalho de bastidores para tentar acalmar o ex-deputado Roberto Jefferson. O homem que batizou de mensalão e jogou no ventilador o escândalo petista, além de humilhar Zé Dirceu publicamente com o famoso recado “Sai daí, Zé”, agora anda dizendo que foi um erro poupar Lula da Silva e promete esclarecer, durante o julgamento, a participação do Guia de Alambique no conjunto de patifarias. Advogado, Jefferson ameaça inclusive fazer a própria defesa no Supremo, o que poderá virar um capítulo eletrizante.
Outro capítulo eletrizante poderá ter origem no instinto de sobrevivência dos réus. A partir do momento em que a possibilidade de punição ganhou contornos reais, aquele discurso afinadinho do início do processo deu lugar a um cenário de pesadas acusações de uns contra os outros, gerando um ambiente cada vez mais ríspido de cada um por si. Até com ameaças de surgirem vídeos inéditos e bombásticos.
Entre os mistérios mais insondáveis que cercam o julgamento do mensalão estão a monta e a origem da verdadeira fortuna que vai migrar dos réus para os advogados de defesa. A respeito disso, escreveu o jornalista Ancelmo Gois: “A Ação Penal 470, conhecida pela alcunha de mensalão, deve aquecer o mercado de advogados. É difícil saber quanto vão embolsar no total os mais de cem profissionais envolvidos no julgamento. Defensor do Banco Rural no caso, um dos maiores honorários deve ser, naturalmente, de Márcio Thomaz Bastos, que, como se sabe, cobrou R$ 15 milhões para defender Cachoeira. Com todo o respeito”.
Não são poucos os petistas encastelados no governo Dilma que andam com os dedinhos cruzados e pedindo a Deus para que o PT e sua militância guiada, estudantes comprados da UNE e sindicalistas profissionais da CUT não façam arruaças durante o julgamento do mensalão. Por dois motivos: não vão conseguir mudar uma vírgula no destino dos réus, e podem assanhar ainda mais os ânimos da opinião pública contra o petismo de forma geral.
No grupo íntimo da presidente Dilma Rousseff já se tem como certo que uma eventual absolvição de Zé Dirceu será fonte imediata de problemas. Afinal, é o que se analisa no Planalto, se ficar livre de problemas com a lei, o estrategista trapalhão irá com tudo para cima do governo, em busca de espaço de poder e bons negócios.
Na visão do próprio Dirceu, talvez o quadro seja outro. Em depressão profunda, ele acha que não escapará de uma condenação e poderá até ser preso para servir de exemplo e atender ao desejo de punição da sociedade.
Amigos do ex-ministro andam dizendo que pretendem recorrer a cortes internacionais caso ele seja condenado pelo Supremo. Coisa de Pila-Perfeito idiota latino-americano de carteirinha. Essa gente não tem mesmo senso de ridículo, santo Deus!
O governo está utilizando um novo pacote de concessões – o nome petista para privatizações – como forma de curar-se do último surto intervencionista. Deve ter percebido que é impossível manter um ambiente de crescimento sustentável sem realizar investimentos em infraestrutura e sem contar com a participação do capital privado. De Collor de Mello a Dilma Rousseff, mantém-se em curso, sem interrupção, o mesmo conjunto de medidas privatizantes que apenas assumiu o tom do ocupante de ocasião do Palácio do Planalto.
Depois da patacoada, finalmente o governo brasileiro caiu na real e começa a estudar a melhor maneira de patrocinar a volta do Paraguai ao Mercosul.
José Reguffe foi apontado como boa-nova ao assumir sua cadeira na Câmara dos Deputados. Chegou fazendo marola e ganhando espaço na mídia porque devolvia verbas de gabinete e pregava moralidade. Durou pouco no papel. Sabe-se agora que, por meio de um daqueles atos secretos de Agaciel Maia, o rapazola virou funcionário fantasma do Senado. Pelo mesmo instrumento e pela mesma caneta também ganhou cargo no gabinete do tio senador Sérgio Machado. Para completar a pajelança, Reguffe pagou dívidas eleitorais sem abrir a própria carteira. Pelo visto, mais do mesmo.
Depois de marcar época no varejo, o Mappin foi vitimado por administrações desastradas e fechou as portas numa falência rumorosa, que deixou atrás de si, pelas mãos de Ricardo Mansur, um passivo superior a R$ 1 bilhão e mais de 4,5 mil desempregados. Assim, tristemente, apagou-se a cena que dominou por décadas o calçadão que juntava a Praça Ramos de Azevedo ao vizinho Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Agora, surge a notícia de que a Marabraz, empresa que adquiriu em leilão a marca do antigo magazine, pretende abrir novas lojas Mappin no início de 2013. Mas elas terão pouca semelhança com a lendária Casa Anglo-Brasileira, até hoje um dos maiores ícones comerciais na memória dos paulistanos.
Os ingleses descobriam Neymar. Ele vem sendo tratado como “cai-cai” e anda fazendo a festa dos humoristas britânicos, em razão daquela mania antiesportiva de tentar cavar faltas se atirando no gramado.
Talvez esteja na afirmativa do prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho, ex-ministro do governo Lula da Silva, a melhor explicação para o petismo sequer considerar a possibilidade de Dias Toffoli declarar-se impedido: “Ele não tem esse direito”. Ou seja, o homem parece não ser reconhecido apenas como um ministro do Supremo que é, mas, também e sempre, como um militante do PT e devedor de fidelidade partidária.
Há um grande trabalho de bastidores para tentar acalmar o ex-deputado Roberto Jefferson. O homem que batizou de mensalão e jogou no ventilador o escândalo petista, além de humilhar Zé Dirceu publicamente com o famoso recado “Sai daí, Zé”, agora anda dizendo que foi um erro poupar Lula da Silva e promete esclarecer, durante o julgamento, a participação do Guia de Alambique no conjunto de patifarias. Advogado, Jefferson ameaça inclusive fazer a própria defesa no Supremo, o que poderá virar um capítulo eletrizante.
Outro capítulo eletrizante poderá ter origem no instinto de sobrevivência dos réus. A partir do momento em que a possibilidade de punição ganhou contornos reais, aquele discurso afinadinho do início do processo deu lugar a um cenário de pesadas acusações de uns contra os outros, gerando um ambiente cada vez mais ríspido de cada um por si. Até com ameaças de surgirem vídeos inéditos e bombásticos.
Entre os mistérios mais insondáveis que cercam o julgamento do mensalão estão a monta e a origem da verdadeira fortuna que vai migrar dos réus para os advogados de defesa. A respeito disso, escreveu o jornalista Ancelmo Gois: “A Ação Penal 470, conhecida pela alcunha de mensalão, deve aquecer o mercado de advogados. É difícil saber quanto vão embolsar no total os mais de cem profissionais envolvidos no julgamento. Defensor do Banco Rural no caso, um dos maiores honorários deve ser, naturalmente, de Márcio Thomaz Bastos, que, como se sabe, cobrou R$ 15 milhões para defender Cachoeira. Com todo o respeito”.
Não são poucos os petistas encastelados no governo Dilma que andam com os dedinhos cruzados e pedindo a Deus para que o PT e sua militância guiada, estudantes comprados da UNE e sindicalistas profissionais da CUT não façam arruaças durante o julgamento do mensalão. Por dois motivos: não vão conseguir mudar uma vírgula no destino dos réus, e podem assanhar ainda mais os ânimos da opinião pública contra o petismo de forma geral.
No grupo íntimo da presidente Dilma Rousseff já se tem como certo que uma eventual absolvição de Zé Dirceu será fonte imediata de problemas. Afinal, é o que se analisa no Planalto, se ficar livre de problemas com a lei, o estrategista trapalhão irá com tudo para cima do governo, em busca de espaço de poder e bons negócios.
Na visão do próprio Dirceu, talvez o quadro seja outro. Em depressão profunda, ele acha que não escapará de uma condenação e poderá até ser preso para servir de exemplo e atender ao desejo de punição da sociedade.
Amigos do ex-ministro andam dizendo que pretendem recorrer a cortes internacionais caso ele seja condenado pelo Supremo. Coisa de Pila-Perfeito idiota latino-americano de carteirinha. Essa gente não tem mesmo senso de ridículo, santo Deus!
O governo está utilizando um novo pacote de concessões – o nome petista para privatizações – como forma de curar-se do último surto intervencionista. Deve ter percebido que é impossível manter um ambiente de crescimento sustentável sem realizar investimentos em infraestrutura e sem contar com a participação do capital privado. De Collor de Mello a Dilma Rousseff, mantém-se em curso, sem interrupção, o mesmo conjunto de medidas privatizantes que apenas assumiu o tom do ocupante de ocasião do Palácio do Planalto.
Depois da patacoada, finalmente o governo brasileiro caiu na real e começa a estudar a melhor maneira de patrocinar a volta do Paraguai ao Mercosul.
José Reguffe foi apontado como boa-nova ao assumir sua cadeira na Câmara dos Deputados. Chegou fazendo marola e ganhando espaço na mídia porque devolvia verbas de gabinete e pregava moralidade. Durou pouco no papel. Sabe-se agora que, por meio de um daqueles atos secretos de Agaciel Maia, o rapazola virou funcionário fantasma do Senado. Pelo mesmo instrumento e pela mesma caneta também ganhou cargo no gabinete do tio senador Sérgio Machado. Para completar a pajelança, Reguffe pagou dívidas eleitorais sem abrir a própria carteira. Pelo visto, mais do mesmo.
Depois de marcar época no varejo, o Mappin foi vitimado por administrações desastradas e fechou as portas numa falência rumorosa, que deixou atrás de si, pelas mãos de Ricardo Mansur, um passivo superior a R$ 1 bilhão e mais de 4,5 mil desempregados. Assim, tristemente, apagou-se a cena que dominou por décadas o calçadão que juntava a Praça Ramos de Azevedo ao vizinho Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Agora, surge a notícia de que a Marabraz, empresa que adquiriu em leilão a marca do antigo magazine, pretende abrir novas lojas Mappin no início de 2013. Mas elas terão pouca semelhança com a lendária Casa Anglo-Brasileira, até hoje um dos maiores ícones comerciais na memória dos paulistanos.
Os ingleses descobriam Neymar. Ele vem sendo tratado como “cai-cai” e anda fazendo a festa dos humoristas britânicos, em razão daquela mania antiesportiva de tentar cavar faltas se atirando no gramado.
“Só há duas alternativas para compreender esse pai de santo que se vangloria de ter salvado Fernando Collor da desgraça matando 400 búfalos: o cabra ou trabalha para algum açougue, ou cometeu crime ambiental. E ainda é alcaguete, denunciando minha querida Maria Padilha.” Zé Prativai, com dificuldade para incorporar a história contada pelo pai de santo Ralf Genary. |
alarido
“O mal das encrencas é que elas começam bem devagarinho.”
(Millôr Fernandes, gênio da raça)
“É voz corrente em cada canto desta Casa, em cada fundo de plenário, em cada banheiro, que o senhor Delúbio, tendo como pombo-correio o senhor Marcos Valério, um carequinha que é publicitário lá em Minas Gerais, repassa dinheiro a partidos que compõem a base de sustentação do governo, num negócio chamado mensalão.”
(Roberto Jefferson, então deputado federal, diante das câmeras de televisão em 6 de junho de 2005, trazendo à luz com nome e sobrenome o maior escândalo de corrupção já acontecido no Brasil, que pagou R$ 55 milhões a 18 parlamentares da base alugada entre 2003 e 2004)
“Dificilmente escaparei.”
(Zé Dirceu, desabafando com amigos a respeito do cenário que enxerga par si no julgamento do mensalão petista)
“Serei um símbolo desse julgamento.”
(Idem)
“Desenvolveu tanto a arte da mentira que todos acreditam nele.”
(Millôr Fernandes, gênio da raça)
“Eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos de pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas. O governo, onde errou, tem de pedir desculpas.”
(Lula da Silva, então presidente da República, humilhado, em rede nacional de tevê no dia 12 de agosto de 2005, num arremedo de desculpas aos brasileiros pelo mensalão petista que agora insiste em dizer que não existiu)
“Lula não só sabia do mensalão, como ordenou toda essa lambança.”
(Luis Francisco Correa Barbosa, advogado de Roberto Jefferson, antecipando o tom que poderá usar durante o julgamento no Supremo)
“Se já é estranho a mãe de um governador aliado dar ganho de causa a réus do mensalão a menos de 15 dias do julgamento no Supremo Tribunal Federal, mais grave ainda é um ministro do STF que foi advogado do PT admitir a hipótese de participar desse julgamento [...] Parece jogo combinado. Ou o tapetão. Ana Arraes baixa a bola e lança, Toffoli chuta. E os mensaleiros comemoram.”
(Mary Zaidan, jornalista)
“O relatório eticamente criminoso de dona Ana Arraes e aceito pelos demais ministros do TCU só demonstra que o mensalão ainda não morreu de todo; continua a gerar frutos negativos.”
(Reinaldo Azevedo, jornalista)
“Neste momento o STF passa a ser julgado pela opinião pública.”
(Eliana Calmon, ministra do CNJ, a respeito das expectativas que cercam o julgamento do mensalão petista no Supremo)
“Desta vez é inegável que de alguma forma o Judiciário estará submetido a julgamento.”
(Dora Kramer, jornalista, a respeito do mesmo tema)
“Zé Dirceu quer dar relevo à imagem do militante para mitigar a do ‘consultor de empresas privadas’, aquele do rendez-vouz, que se esgueirava em quartos de hotel com autoridades do governo, de estatais e do Congresso.”
(Reinaldo Azevedo, jornalista, a respeito das manobras pirotécnicas que Zé Dirceu tem empreendido por conta do julgamento no Supremo)
“Marcos Valério tinha relação com o partido, ele fez coisas com o partido. Eu nunca acompanhei isso. Então, quem pariu Mateus que o embale, né, meu querido?!”
(Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula, engrossando o jogo de empurra que cerca o mensalão petista)
“A mesma Receita Federal que enche o saco do cidadão comum com seu rigor leonino, bem que deveria investigar de onde esses mensaleiros petistas tiraram tanto dinheiro para bancar essa enxurrada de advogados caríssimos que vão desfilar Supremo.”
(Zé Prativai, nosso filósofo de estimação, incapaz de entender a multiplicação de dinheiro dessa gente)
“Sobrou dinheiro – parte dele público – para financiar esse movimento político e jurídico. Dinheiro que bancou para os mensaleiros o melhor da advocacia (e o pior do jornalismo). Delúbio, embora diga que não tem um centavo, é defendido desde o começo do caso pelo criminalista Arnaldo Malheiros Filho. Blogs de ex-jornalistas, quase todos com patrocínios de estatais e ministérios, dedicam-se há anos a tentar “desmistificar” o mensalão, atacando ferozmente a reputação de quem quer que atravesse o caminho do PT.”
(Diego Escosteguy, jornalista)
moleskine
A partir de 5 de agosto minha terra Acari se entrega à festa da nossa padroeira, Nossa Senhora da Guia. A possibilidade desse reencontro na cidadezinha sossegada vai muito além do cenário religioso, pois nos permite estar com parentes e amigos e festejar nosso orgulho sertanejo. É como se, durante os dez dias da Festa de Agosto, a gente mexesse na caixa das melhores lembranças, revirasse as fotografias que traduzem cenas de vida inteira. Estamos todos chegando e já se ouve a algazarra que nos move em cada agosto.








