terça-feira, 11 de dezembro de 2012

De olho no mundo - 69


11 de dezembro de 2012
cardápio da imprensa
A equipe econômica acaba de divulgar números dignos do governo miúdo de madame: o crescimento de 0,6% do PIB, metade do previsto, colocando na história mais um pibinho. Sem contar que, em breve, todos saberemos que a inflação do ano vai ultrapassar 5,5%, suficientes para manter a fritura ainda disfarçada do ministro-adivinhão da Fazenda Guido Mantega, desgastado de tanto errar previsões.

Em 2009, quando a britânica The Economist publicou exagerada matéria de capa a respeito do crescimento brasileiro, nenhuma voz do governo contestou – aliás, a petezada adorou a capa que mostrava o Cristo Redentor subindo impulsionado por um foguete. Agora, que muito corretamente a revista definiu a economia brasileira como “criatura moribunda” na reportagem “O Brasil despenca”, e apontou oportuna a demissão de Mantega, madame veio à boca de cena defender seu adivinhão que erra todas. Esqueceu a governanta que ministro forte dispensa defesa de chefe. É bom anotar que, num quadro de fragilidade econômica que vive sendo disfarçado pelas mentiras do governo, ajudando a disseminar desconfianças nos investidores, o chefe da Fazenda pode estar sendo fantasiado para bode expiatório. Afinal, é preciso esconder o óbvio, que a política econômica brasileira vive à mercê das conveniências políticas de Dilma Rousseff e seu partido.
Os ministros do Supremo devem estar rindo à toa com as novas notícias. O escândalo revelado pela operação Porto Seguro parece indicar que o mensalão petista era roubo de galinhas e que ninguém foi injustiçado no julgamento. Revelada a existência de um gabinete paralelo da Presidência da República em São Paulo, sabe-se que lá despachava o onipresente Lula da Silva, numa espécie de co-mandato. Era também o ambiente que centralizava um gigantesco esquema de tráfico de influência e outros crimes contra o Estado. Quem mandava na bodega era uma tal Rosemary Noronha que, como sabem até os móveis dos bastidores petistas, só é menos importante para o chefão do que Marisa Letícia. Alguém que começou sua historieta petista como assessora de Zé Dirceu.
A Polícia Federal dispõe de 122 gravações de telefonemas trocados entre Lula da Silva e Rosemary, onde os dois se tratam por apelidos carinhosos. Acostumada a frequentar o Aerolula em viagens internacionais com passaporte diplomático – apenas quando dona Marisa Letícia não estava presente –, ela jamais constava da lista oficial de passageiros, talvez para escapar da famosa marcação cerrada da ex-primeira-dama em cima do marido. A explosão desse escândalo foi uma espécie de tiro no coração do ex-presidente, inclusive com graves consequências em seu ambiente doméstico. Tanto que essa viagem internacional de 15 dias não poderia ser mais oportuna.
Marisa Letícia estaria fumando numa quenga por conta do noticiário que vem revelando a imensa proximidade da tal Rose com Lula da Silva. O PT tem tomado todo o cuidado para evitar que a madame titular possa sucumbir à dor de cabeça que vem enfrentando por causa da outra madame, e abrir o coração magoado. Afinal, a ex-primeira-dama não é exatamente alguém com temperamento e altivez suficientes para ser humilhada e ficar em silêncio. E como já diz a canção popular de Chico Buarque, um coração transformado num pote de mágoas pode ser a gota d’água.
O deputado Anthony Garotinho revelou em seu blogue que, numa visita oficial do ex-presidente a Portugal, Rosemary declarou, por via diplomática, a entrada de € 25 milhões para depósito na agência central do Banco Espírito Santo, na cidade do Porto. Nos documentos do seguro exigido pela transportadora de valores – que teria levado o dinheiro do aeroporto para o banco –, constaria Rosemary como responsável pelo transporte e Luiz Inácio Lula da Silva como beneficiário por qualquer sinistro. Também já circulam especulações de que o nome da operação Porto Seguro é uma referência à cidade portuguesa, e que haveria uma lista de deputados e ministros envolvidos no escândalo.
Na verdade, depois de flanar sobre tanta lama, começam a surgir os primeiros sinais de fadiga de material na blindagem de Lula da Silva. Talvez seu erro primordial tenha sido afrontar, em parceria com o PT e naquele radicalismo costumeiro, o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público e a pessoa do procurador-geral Roberto Gurgel – até o ponto do seu tresloucado indiciamento na primeira versão do relatório da CPI do Cachoeira.
O semideus petista semeou ventos e começa a colher sua própria tempestade, na forma de uma guerra total que, parece, lhe foi finalmente declarada. Se mantida nesse ritmo inicial, essa guerra não tardará a liquidar o mito e revelar sua imagem real. As investigações públicas e sigilosas que já correm poderão disparar o tiro de misericórdia. Por isso, o próprio Lula da Silva tem ligado insistentemente a líderes de diversos partidos, quase implorando para evitar uma CPI e para que questões pessoais sejam preservadas. Afinal, mesmo nunca sabendo de nada, o Guru de Alambique deve desconfiar que os 122 telefonemas entre ele e sua Rose podem revelar claramente quem manda fazer o quê.
A Polícia Federal estaria no encalço de um certo motoboy paulistano chamado Roberto, suspeito de manter escondidos dez envelopes com documentos explosivos e de grande interesse para a operação Porto Seguro. Envelopes com remetente e destinatário, Rose e Zé Dirceu respectivamente.
Pouco depois do estouro do novo escândalo, Lula da Silva foi ao Rio participar de um jantar oferecido pela Pirelli, no lançamento do famoso calendário. Um brutal esquema de segurança o livrou dos repórteres. Lá dentro fez aquele discurso baboseira de sempre, salivou diante de Sophia Loren e saiu antes que o primeiro prato fosse servido.
Tem sido interessante observar o falastrão incontrolável que deu de fugir de microfones, e cada vez mais utiliza as portas dos fundos para entrar e sair dos lugares – como acaba de fazer em Paris, para o almoço com Dilma Rousseff. Talvez, por isso, ele odeie tanto Fernando Rolando Lero Henrique Cardoso, que segue andando livre, leve e solto pelas ruas do mundo, na elegância tradicional e saudado amistosamente aonde chega. Ao contrário do Guru de Alambique, que apareceu de terno e gravata colorida espancando o cerimonial da Pirelli, que exigia longos e black-tie.
O jurista Hélio Bicudo foi companheiro de chapa de Lula da Silva, um dia. Fala sobre o antigo companheiro AQUI.
Felipão já entrou em campo armando retranca para o Banco do Brasil. Deu botinada nos bancários sem nenhuma necessidade e demonstrou que não frequenta uma agência de qualquer banco há muito tempo.
A esperteza patife dos hoteleiros cariocas está fazendo escola. Em Fortaleza, hotéis que cobram R$ 150,00 pela diária em apartamento duplo anunciam um pequeno aumento para R$ 1.125,00 durante a Copa das Confederações. E no dia do jogo do Brasil na cidade o preço sobe um pouquinho mais, para R$ 3.625,00. Haja coração!
A morte do intelectual Décio Pignatari é uma grande perda para a cultura brasileira. Tão grande, que a maioria dos brasileiros não faz a menor ideia de quem se trata. Ficamos sem a inquietação e o temperamento satírico de um sujeito incomparável, um dos pais do movimento concretista que veio à cena nos anos 50.

Pelo visto, vai faltar metal no mercado, de tanto que se tem fabricado punhal para os cumpanhêros atacarem o Lula pelas costas. E ele não aprende, insiste em confiar nessa gente!

Zé Prativaiimpressionado com mais um ‘momento traído’ do Guru de Alambique.

alarido
Posso dizer que todo o país já riu de mim, embora poucos tenham rido do que eu faço.”
(Millôr Fernandes, gênio da raça)

“Lula, conforme os fatos não param de provar, trouxe para o centro do governo brasileiro, dez anos atrás, uma tropa de batedores de carteira como raramente se viu neste país: qualquer exame de laboratório mostra que está aí, quando se raspa o verniz da propaganda, o DNA de sua passagem pela política nacional. Esse bonde não para. Começou a andar em 2003, antes de se completar o primeiro mês do governo Lula, com a dupla Marcos Valério-Delúbio Soares já funcionando a toda na montagem da coleção de crimes à qual se deu o nome de mensalão. Continua andando até hoje: sua última aparição é neste miserável escândalo dos ‘bebês de Rosemary’, episódio que serve como uma das melhores fotografias jamais tiradas do dia a dia da governança petista, tal como ela é na vida real.”
(J.R. Guzzo, jornalista)

“Ser brasileiro nesses tempos de lulopetismo realmente não é tarefa para qualquer um. É difícil não se envergonhar de autoridades tão corruptas, desprovidas de decoro e, acima de tudo, cínicas. O que me deixa mais indignado é que, além de ser roubado como pagador de impostos e humilhado como cidadão que, ainda que inadvertidamente, patrocina a transformação do Gabinete da Presidência da República em reles prostíbulo, sou ofendido por vassalos imorais que me tomam por idiota.”
(Mauro Pereira, jornalista)

“Eu me senti apunhalado pelas costas.”
(Lula da Silva, sem o menor semancol de tentar usar mais uma vez a estratégia do "Eu não sabia" diante de um escândalo da sua patota)

“Não vou cair sozinha.”
(Rosemary Noronha, a “amiga íntima” de Lula da Silva demitida por Dilma Rousseff no meio de mais um escândalo de corrupção petista, fazendo as ameaças costumeiras de quem ainda não se acostumou com a ideia de que posou de otária, arranjou inimizades aos borbotões e dançou porque é a funcionária mequetrefe dessa história)

“Não, não fiquei surpreso.”
(Lula da Silva, depois de questionado por um jornalista, na Alemanha, a respeito do novo escândalo petista, começando a entender que o surrado disco “Eu não sabia” não serve mais para tocar no seu baile do espanto particular)

“Natural que Lula não tenha ficado surpreso. Surpreender-se, estranhar, é começar a entender. Algo que não orna com sua presidência cega. Para um par de pupilas bem abertas, uma assessora mequetrefe que conseguisse acomodar protegidos e familiares em altos postos da República causaria enorme estranheza. Mas Lula, como se sabe, tem visão seletiva. Como pode surpreender-se se jamais vê nada, se nunca sabe de coisa nenhuma?”
(Josias de Souza, jornalista)

“Deveria se chamar “Batom na Cueca” e não “Porto Seguro” a operação da Polícia Federal que descobriu o “nome da Rose”.”
(Cláudio Humberto, jornalista)

“Como na canção de Chico Buarque, aparece uma mulher que diz sim por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim. Uma cirurgia, um emprego, um cruzeiro com Bruno e Marrone.”
(Fernando Gabeira, jornalista)

“Jornal decide contar ao leitor o que os jornalistas e o governo sabiam há muito: Lula e Rosemary, no centro do novo escândalo, eram amantes desde 1993.”
(Reinaldo Azevedo, jornalista, comentando matéria da Folha de S.Paulo)

“Depois da reportagem publicada pela Folha, complementada brilhantemente por Reinaldo Azevedo, os jornalistas podem dispensar-se de cautelas farisaicas e contar o que muitos sabem desde o século passado: Rose é mais que amiga de Lula. É amante.”
(Augusto Nunes, jornalista)

“Nos próximos 15 dias, a viagem poupará o ex-presidente de cobranças constrangedoras. Mas escândalos não viajam, nem ficam menores se os protagonistas fingem que não o enxergam. Quando voltar ao Brasil, Lula encontrará à sua espera o caso Rose. A assombração estará do mesmo tamanho. Ou maior.”
(Idem)

“O escândalo roda nas manchetes há quase três semanas. Em público, Lula não disse palavra. Com o seu silêncio, prova que é capaz de tudo, menos de prover boas explicações.”
(Josias de Souza, jornalista)

“Além de mandar fechar, Dilma também mandou tirar o sofá da sala do escritório da Presidência da República em São Paulo?”
(Idem)

Qual a pior hipótese: a de uma secretária de luxo ter poderes para nomear e promover usando o santo nome do ex-presidente Lula em vão, sendo sempre atendida, ou a de este avalizar seus pedidos? [...] Pelo visto, o mensalão é pinto comparado com o estrago feito pela madame em nome de Lula.
(José Nêumanne, jornalista)

“Mesmo com todo o estardalhaço causado pelo julgamento do mensalão, parece que nada detém a ânsia de saquear o Erário.”
(Marco Antonio Villa, historiador, comentando o novo escândalo da petezada)

“Frente às denúncias, a presidente Dilma Rousseff vai agir da forma já sabida: exonera o acusado da função, diz que não admite malfeitos e nada vai apurar. Foi este o figurino neste quase dois anos de governo.”
(Idem)

Se o filme O bebê de Rosemary tivesse um remake no Brasil de hoje, o papel do diabo ficaria para Lula. Mas podemos fazer um novo, O bebum de Rosemary, dando ao Apedeuta outro papel que também lhe cai como luva.
(De um leitor da coluna, de Brasília, impressionado com mais um escândalo gestado ao redor de Lula da Silva)

“Acaba de chegar ao mercado uma nova banda: Gangs and Roses.”
(Frase gaiata que circula na internet)

“Tido como gênio da arte da política, Lula revela-se, a cada novo escândalo, um precário formador de equipes. Vivo, o cronista Nelson Rodrigues diria que, nessa matéria, Lula é um débil mental de babar na gravata.”
(Josias de Souza, jornalista)

“Se não quiser pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, senta no escritório e não faz nada”.
(Felipão, novo técnico da Seleção)

“Moleza é ter um salário de primeira e levar o Palmeiras para a segunda divisão.”
(Murilo da Silva, funcionário do Banco do Brasil)

“A estupidez política de Niemeyer, que defendia regimes homicidas, não condena a sua obra. Mas a sua obra também não absolve a sua estupidez política.”
(Reinaldo Azevedo, jornalista, no artigo Morre Oscar Niemeyer, metade gênio e metade idiota)
moleskine
O mundo da música está triste pela perda de Dave Brubeck, o pianista que fez o jazz sorrir. Morreu na véspera de completar 92 anos, dono de uma carreira consagrada em 66 anos de atividade. Take five e Blue rondo a la turk, seus grandes sucessos, foram lançados em 1954 no lendário álbum Time out, primeiro disco de jazz a vender 1 milhão de cópias. 

3 comentários:

  1. Ô, cabra bom, quanto mais o tempo passa, mais aumenta a decepção da MINHA GERAÇÃO com os homens públicos neste país de poucos bons corações.
    Até quando seguiremos chorando as dores de vermos nossos representantes envolvidos em escândalos?
    Minha infância se passou cantada ante os bancos do velho Grupo Escolar Tomaz de Araújo, sob a batuta de Dona Almira Araújo, rígida comandante, honesta até no piscar dos olhos e franzir da testa. Ficávamos em pé, pois, de frente à singular educadora linha dura - bem própria para o Regime Militar nos governando naqueles dias - e cantávamos alienados a tudo que nos viria que "esse é um país que vai pra frente". Passadas essas três décadas e meia, pouco andou, acordou mas parece ter voltado a cochilar e, embora os índices e gráficos mostrem que 13,2 milhões de pessoas saíram da pobreza, a cada novo escândalo fico mais apreensivo na volta desse povo todinho para o antigo lugar no espaço social que eles sempre ocuparam (e já dizia o cego Pacanã, lá do nosso bom e velho Acari do nosso amor: "até um cego acerta o caminho da volta").
    O Brasil tem novos ricos, cabra bom, e a marca desse povo, eu quero dizer, o ferro que os distingue tem apenas duas letrinhas bem conhecidas, porém, e bote porém nisso, a melhor forma de reconhecê-los é uma estrelona vermelha silkada nos peitos de uma camiseta branca, ou vice versa. E desses, cabra macho, ninguém em absoluto espera que se percam na volta. Se perderam ainda na ida.
    Agora me dê licença que eu vou ali no Facebook linkar esse seu palavreado. Quiçá alguém chame o macho véi de “cabra da direita”. Aí, ficarei a divagar sobre o poder das palavras, pois meu velho pai, Seu Miúdo, esposo de Dona Rita, essa minha mãe, ensinou-me desde aquele tempo da incontestável Almira Araújo que “ser direito é o que importa”.

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    1. Taí um cabra iscrevedô do seu top esse caba Zé de Miúdo, mestre Heraldo. Cuma é qui um camarada desse num bota nada nos jorná? Apois eu lhe progunto: índices e gráficos mostram que 13,2 milhões de pessoas sairam da pobreza e quantos estão na ispriguiçadeira, só isperano a hora da durmida pra fazê mais um minino?

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  2. Meu irmao está muito feia a coisa e é geral!!!
    Sem comentarios... da raiva e impotencia.Em compensacao aquí na rua na qual tenho o escritorio , na esquina a dois quisques que vendem goloseimas , um de cada lado da rua... Um se chama Francisco e o outro Tamasio... Tamasio foi a falencia e nao consguía comprar mercadorias... o interesante é que Francisco fez uma rifa para doar o dinheiro arrecadado ao Tamasio (seu concorrente) para comprar mercadorías... Ainda bem que no povo sofrido existe gente de bem. Beijo Dubby

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