A cantora potiguar Roberta Sá (foto), três discos lançados, carreira em ascensão, lança Segunda Pele, seu novo disco.
O disco inclina Roberta ainda mais ao pop, mas com cuidados, sem fazer mudar seu registro.
Sua voz está sólida, seu repertório seguro, quase conceitual.
O que dá liga às canções é o fato de serem ‘quase’ inéditas (muitas lançadas em discos independentes pouco ouvidos por aí).
Não revisitar standards de música brasileira era uma precondição, achar gente boa que escrevesse letras consistentes era outra.
Os arranjos de Rodrigo Campello, músico que a entende desde sua primeira fita demo, antes mesmo de a carreira começar, o fazem uma espécie de coautor.
Rodrigo cria texturas com sopros e percussão do grupo A Parede dando classe a versos como "todo ébrio é poeta quando olha pra você", de Lua (Mario Seve e Pedro Luis).
A voz é valorizada sem que o disco seja minimalista nos acompanhamentos.
O som é cheio, vibrante.
O único samba que aparece agora é O Nego e Eu, feita para ela por João Cavalcanti.
A regravação que quebra a regra é de Deixa Sangrar, de Caetano Veloso, gravada por Gal Costa em 1971.
A versão de Roberta é mais clara, menos raivosa, sem as distorções da guitarra tropicalista na gravação de Gal.
As comparações de sua voz com a de Gal Costa não são descabidas.
Mas aqui o cruzamento pode ser entendido como referência e até coincidência, não cópia.
O ponto nevrálgico das tais semelhanças está em algumas notas mais agudas, que Gal e Roberta atingem com força e naturalidade.
Marisa Monte é outro nome já citado em comparações.
"Não me incomoda. Ser comparada a Gal Costa e a Marisa Monte é sinal de que estou bem. São uma grande referência. E digo mais: cantora da minha geração que não ouviu Marisa, que atire a primeira pedra. Existe uma inexplicável negação da influência da Marisa por algumas cantoras, acho uma bobagem."
A essência de Roberta Sá é pop, e seu novo disco reforça isso.
E o mérito, seu e de Rodrigo, é de trabalharem essa percepção em um registro classudo, sem maiores facilidades.
Isso fica mais claro ao se ouvir Altos e Baixos (Lula e Yuri Queiroga), Pavilhão de Espelhos (Lula Queiroga) ou No Arrebol (Wilson Moreira).
A habilidade agora é a de não deixá-la virar cantora de gueto.
Público para lotar casas ela tem.
Com informações de O Estado de S.Paulo

Não sabia que a Roberta Sá é potiguar. Preciso conhecer o seu trabalho. Gosto muito da banda do companheiro dela, Pedro Luís e a Parede, que já tem alguns anos de estrada...
ResponderExcluir