Chova ou faça sol tudo depende do clima, toda a vida animal ou vegetal só existe por conta do clima, sem ele nada prospera nem permanece, tudo acaba, porque definha e morre. Esse é assunto no qual não se pode tocar sem lembrar seca e inverno, calor e frio, tempestades, vendavais, furacões e enchentes. E também fome e doenças.
Graças à fantástica evolução da ciência, atualmente já é possível ao homem determinar o índice de poluição do ar no primeiro século do nosso calendário, ou muitos séculos antes de Cristo, bem como qual é o tempo de resistência dos seres vivos às transformações climáticas pelas quais o planeta vem passando.
O cálculo da poluição pretérita do ar é feito por perfurações com milhares de metros de profundidade nas calotas de gelo das montanhas e dos polos e o subsequente exame das moléculas d’água colhidas, aí retidas há milhares de anos, método descoberto na década de 1970 pelo paleoclimatólogo Lonnie Thompson, renomado cientista e professor da Universidade de Ohio, EUA. Da mesma maneira que a Geocronologia possibilita a datação das diversas camadas da crosta terrestre, estabelecendo a idade das rochas, fósseis, sedimentos e diferentes eventos da história da terra. Mais ou menos idêntico ao que faz a Dandocrinologia que, pela análise dos anéis de crescimento do tronco das árvores, indica a sua idade. E o carbono 14, que permite a datação de objetos e materiais num período superior a cinco mil anos. No tempo dos nossos avós nada disso o homem tinha desvendado. Mas tudo isso a Ciência nos revelou recentemente.
Infelizmente, não obstante os reiterados alertas de abalizados cientistas, as constantes catástrofes climáticas ocorridas nos últimos anos no mundo inteiro, enchentes, tufões, furacões, tornados, secas, degelo, chuvas ácidas e calor quase que insuportável ou frio mortífero, muita gente não acredita no aquecimento global que a poluição da atmosfera com gases, principalmente com CO2 (carbono), vem acentuando diariamente. Ou quando admitem o aquecimento global, ao invés de colaborarem com a limpeza da atmosfera preferem acreditar que o próprio homem vai inventar algo que evite a catástrofe anunciada para os próximos anos, atingindo em cheio os nossos descendentes, quando a temperatura subir até mais de dois graus centígrados.
Acontecerá, então, o derretimento das calotas polares e o conseqüente aumento do nível do mar, provocando o desaparecimento de regiões mais baixas e a extinção de espécies, além de enchentes e desertificações.
Para que esse horror catastrófico seja evitado é preciso que, tomando-se por base os índices de poluição referentes ao ano de 1990, o mundo reduza 80% das emissões de CO2 até 2050.
O alerta à humanidade foi dado em 1974 quando Frank Sherwood Rowland, Prêmio Nobel de Química de 1995, descobriu que os clorofluorcarbonetos, base dos populares aerossóis e muito usados também em refrigeração, destruíam a camada de ozônio que protege nosso planeta contra os raios ultravioletas das radiações solares. Em 1985 os cientistas britânicos Joseph Charles Farman, Brian Gardiner e Jonathan Sahrklin descobriram o buraco na camada de ozônio.
Foi quando o assunto começou a ser levado a sério. No mesmo ano foi realizada a Convenção de Viena, promulgada pelo Brasil em 1990. Hoje já são conhecidos sete gases destruidores da camada de ozônio, cujo buraco continua crescendo!
E para que se tenha uma ideia mais clara do perigo a que essas radiações nos expõem basta considerar que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) calcula que cada 1% de perda da camada de ozônio cause 50 mil novos casos de câncer de pele e 100 mil novos casos de cegueira, por catarata, em todo o mundo!
A verdade é dolorosa. A poluição cresce avassaladoramente. O crescimento da população desembestou. As nações não encontram caminhos adequados para evitar a catástrofe que se aproxima. Ao que nos parece a maioria das pessoas são céticas, poucas dão atenção ao problema do aquecimento global. Alguns ainda não sabem sequer que a fina camada de ozônio fica a menos de trinta quilômetros acima da sua cabeça e que ela é um filtro dos raios ultravioletas que nos podem destruir e os demais seres vivos da terra pelo aquecimento global em curso por causa do buraco feito pela poluição e por onde passam livremente os raios solares.
Essa gente deveria acreditar pelo menos na velha sabedoria popular ao ensinar proverbialmente que ninguém tapa o Sol com peneira. Recordo aqui que o amigo Ranulfo Bispo, eminente ambientalista de Jacobina, Bahia, certo dia mandou-me e-mail com palavras que vão muito mais longe do que a conotação da minha peneira, ao comparar a camada de ozônio com pano de coar café: rasgado não coa mais nada.
Enquanto os céticos gozam da catástrofe que sinto aproximara-se das futuras gerações, o aquecimento global continua crescendo como um tumor maligno que se desenvolve exclusivamente por conta dos seres humanos habitantes da terra. Agem como os micróbios. Eles próprios não se incomodam com o que estão praticando, mas a paciente, no caso a natureza, sofre, sofre horrores, na certeza de que terá de extinguir o que de mais nobre ela própria criou. Mesmo assim, a cada agravamento da doença manda sinais, pedindo socorro, mas ninguém os considera. São pouquíssimos os que se movimentam em favor da vida.
Parece-me que o ceticismo é como o vício de fumar, por mais que se proclame que o fumo mata, mas o faturamento dos fabricantes de cigarros aumenta. Mas, de modo geral, o cigarro só mata quem fuma, diferentemente da poluição que mata todos, inclusive os que não poluem e até os que despoluem como alguns animais.
Acabo de ler notícia, proveniente da Universidade do Colorado, EUA, segundo a qual as geleiras e áreas cobertas por gelo na Terra, em decorrência do aquecimento global, perderam 536 bilhões de toneladas por ano entre 2003 e 2010, o que resultou na elevação de 12 milímetros no nível médio do mar nesse período. O volume derretido por ano equivale a aproximadamente o dobro da quantidade de água que existe no rio Amazonas!
Ao finalizar esta rápida exposição voltada para a camada de ozônio que a poluição, provocada pelos próprios seres humanos que ela sempre protegeu, vem desastrosamente corroendo, repasso algumas informações que julgo úteis: a Camada de ozônio tem de 10 a 15 quilômetros de espessura, é muito fina, portanto. O chamado buraco é na verdade um afinamento na sua espessura. Ele já chegou a superar a marca dos 24 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a quase três vezes a área do território brasileiro. Em 1985 a área desse buraco era de 5,7 milhões de quilômetros quadrados; em 1990, 7,5 milhões; em 1995, 10 milhões. A sua máxima dimensão no ano passado, verificada no dia 12 de setembro, foi de 16 milhões de quilômetros quadrados. Mas, além desse constante crescimento do buraco na camada de ozônio, nela, ano passado, foi encontrado outro, desta vez não no antártico, mas no Polo Norte, com dimensão correspondente a cinco vezes o tamanho da Alemanha!


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