segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

De olho no mundo - 29 - Especial de Carnaval

20 de fevereiro de 2012

Ó, abre alas!
Fevereiro chegou com cara triste. A greve da polícia baiana ameaçou contaminar o país e manchar fantasias e alegorias. Implacável, o tempo da folia foi se aproximando, empurrando tudo que não é alegria para debaixo do tapete. Os tambores falaram mais alto e colocaram ordem no terreiro. Sim, senhor, a folia repetiu a prática do país campeão em tapeçaria e pizzas: empurrou para depois do frevo todas as patifarias cotidianas.
Por estes dias nada é mais importante do que a festa, ainda mais agora que a folia espontânea começa a modificar o perfil daquele surrado Carnaval de exportação. Sim, as cidades estão explodindo em manifestações naturais das suas pessoas comuns, alternativa aos desfiles oficiais com cheiro de naftalina. Pequenos grupos se juntam, inventam moda e viram protagonistas da própria festa. Quando cuidam, já são de domínio público, arrastando muitas vezes mais convidados do que gente da casa.
Arrastão do Bloco do Magão, Caicó-RN - Foto: Ilmo Medeiros

Os carnavais industriais, pirotécnicos, televisivos, repletos de celebridades de ocasião enfrentam cada vez mais a concorrência irresistível dos blocos de rua, que ressurgiram com força arrasadora. Livres, leves e soltos, sem diretores de harmonia e relógios frenéticos para azucrinar a paciência dos foliões. Sem cordas, camarotes, abadás e corredores discriminatórios. Sem donos do pedaço cagando regras. Sem seguranças trogloditas.
Os blocos de rua, na sua essência, são territórios assumidos da pipoca, inteiros de espaço para samba, suor e cerveja. E amassos. Uma Praça Castro Alves itinerante, sem paciência para ditaduras musicais de generais elétricos de pijama.
No Rio, já são 425 desses blocos incendiando o calendário oficial da cidade. Carregam multidões de janeiro até o “domingo de Cinzas”, quando o Monobloco fecha o reinado de Momo à frente de 400 mil pessoas querendo mais, na histórica Avenida Rio Branco dos carnavais anteriores ao Sambódromo. Nada diferente do que fecunda, há séculos, as melhores quebradas de Recife, Olinda e Ouro Preto.

3 comentários:

  1. Mano Véio,
    Saudades dos velhos carnavais, do corso da Avenida Deodoro (década de sessenta), dos bailes da AABB, do América, da Assen ...
    Os carnavais do mela-mela, dos blocos de rua e das amizades construídas nos "assaltos" a casas de amigos.
    Velhos tempos que não voltam mais!

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  2. Sem duvida o carnaval é uma tradicao no Brasil e ele também é um evento que provoca um desvio de consciencia muito forte provocando a distracao das pessoas de todo aquilo que há de importante. A mente coletiva se desvía do que é necesario que se atenda.
    Me preocupa a implantacao de ese hedonismo que desvía o espirito coletivo de fazer um trabalho social construtivo. Eu vejo com tristeza que as pessoas estao morrendo aos 30 e sendo enterradas aos 80.Me fez pensar como sempre ... Abracos.Dubby

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  3. Mestre Heraldo que é tão alto quanto a palmeira do sobrenome. Como fui músico derna os cinco anos de idade, carnaval pra mim sempre foi sinônimo de trabalho, já que era o período em que nós, músicos, ganhavamos um pouco mais. Pois bem, veja você que o que deu mais audiência nos telejornais não foi a tal da paradona da Mangueira que a emissora tanto tentou dar importância, foi mesmo o cabaré generalizado no tal sambodromo de São Paulo. Aproveitei meu tempo para ver alguns amigos em Santa Cruz na terça, e o restante dos dias dei uma passada na praia, não aguentei a barulheira infernal dos tais "paredões", entre outras baboseiras. Aliás, esse povo que usa o tal paredão de som num tem vez na sua linda Acarí, graças a juíza de paz e o povo da cidade mais limpa do Brasil. Ultimamente, amigo, tenho pensando em convidar uns músicos amigos meus para a gente montar uma orquestra de frevo para tocar no São João, porque o que se vê nos tais carnavais são as tais bandas de forró tocando no carnaval. Vossa senhoria pode inté ser o nosso diretor-presidente. Um abraço grande.

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