domingo, 15 de janeiro de 2012

Um político sem sombra de mácula

Manoel Torres de Araújo 
*1918   +2012
Um político sem sombra de mácula


Francisco de Assis Medeiros
Com a morte de Manoel Torres de Araújo, Caicó perde o seu maior líder político depois de José Augusto Bezerra de Medeiros, Monsenhor Walfredo Gurgel e Dinarte Mariz, este nascido em Serra Negra, mas domiciliado em Caicó a vida toda.
Certa feita, Djalma Marinho defendendo-se de acusação lançada em campanha política, esbravejou do palanque: “Sou homem de uma religião só, de um partido só e de uma mulher só.” Naquela época (1960), como hoje, no quadro político do Estado, acho que somente ele, Djalma, poderia assim ser qualificado. Um político sem sombra de qualquer mácula. 
Caicó acaba de perder o seu político verdadeiramente sem mácula, Manoel Torres de Araújo, homem de boa vontade, servidor incansável dos interesses comuns do seu povo, trabalhador compulsivo nas atividades privadas que exercia e, na política, correligionário fiel e adversário correto.
Posso testemunhar seus méritos com essas palavras porque quase ao final da década de 1960 nos enfrentamos numa das mais ferrenhas campanhas eleitorais já ocorridas no município. Éramos do mesmo partido, a ARENA (naquele tempo não havia MDB no Rio Grande do Norte, que eram esses os dois únicos partidos do Brasil). E havia o instituto da sublegenda que permitia ao mesmo partido lançar até três candidatos para disputar o mesmo mandato de prefeito!
Manoel Torres saiu candidato pela ARENA VERDE; eu, pela ARENA VERMELHA. Ele procedia do antigo PSD (Partido Social Democrático); eu, da antiga UDN (União Democrática Nacional), velhos partidos extintos pela Revolução de 1964, aos quais sempre pertencêramos. Foi um embate memorável e profundamente democrático, muito sério e acalorado, porque, acima de tudo, nunca mudamos de partido, ele sempre pessedista e eu udenista desde a primeira campanha presidencial do Brigadeiro Eduardo Gomes.
A verdade é que na militância política atual não há ninguém no Município de Caicó que, coerente como Manoel Torres, durante a vida toda nunca tenha mudado de partido. Morreu em avançada idade, fiel em doutrina e princípios à mesma legenda a que se filiara na mocidade.
Destarte, com a morte de Manoel Torres fica encerrado mais um edificante, profícuo e memorável ciclo político na história de Caicó.
Manoel Torres, não só pela retidão da sua vida, senão também pela eficácia da sua liderança política, merece todas as bênçãos de Deus, do povo e da posteridade.
Procurador federal e ex-prefeito de Caicó

1 comentários:

  1. Corroboro com suas sábias palavras, vindas de um antigo adversário do caicoense ora pranteado. Seu Manoel foi homem de rara conduta cívica, um democrata por toda a vida.
    Jamais alguém em Caicó levantou a menor suspeita, da conduta político administrativa e partidária, desta reserva moral que ascende neste dia a outro plano - o espiritual - muito mais nobre e perene. Que descanse em paz, o respeitabilíssimo Manoel Torres de Araújo. (A família Panela encontra-se inconsolável). Meus sentimentos!
    Gibson Azevedo da Costa.

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