Via Bar do Bardo
O indivíduo fica 10 minutos observando aquilo vermelho, aprecia-lhe as formas, ou simula apreciá-las, tenta captar cada um dos mínimos detalhes, num misto de estranhamento e reconhecimento, cena muito comum quando se visita aquela exposição “difícil” num museu de arte contemporânea.
O tipo demonstra bastante preparo, põe a mão no queixo, franze a testa por vezes, fixa no objeto o olhar de predador, não há quem não o note em sua atitude madura de “decifro-te!”, invejando-o.
Aos poucos, parece que a luz se aproxima, o ciclo da interpretação estética vai se fechando, o prazer da comunhão...
Mas sua mulher o desconcentra:
- Isso aí não é um extintor de incêndio?
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