terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ARTIGO

Quem canta...
Ivar Hartmann

...seus males espanta! É um ditado usado, conhecido e acertado. Assim como os gaúchos quando perambulam pelo país, levam junto seus CTGs, abertos a todos os brasileiros, assim os germânicos, em suas andanças pelo mundo carregam consigo seu gosto pelo canto coral, aberto a todas as nacionalidades. 
Os católicos mais convictos podem não gostar de Lutero. Mas tem de admirar a inteligência do Padre Martinho Lutero que no séc.XVI criou o luteranismo a partir da Alemanha, afastando-se da hierarquia romana. Vendo o quanto os alemães são súditos da música e sensíveis aos seus acordes – e estão aí os grandes mestres da música universal – criou nas suas igrejas rituais religiosos que contemplam o canto de louvor e agradecimento a Deus. 
E, até hoje, os luteranos cantam mais em seus cultos que os católicos em suas missas. Lutero entendeu de logo que através da música é mais fácil chegar aos corações e mentes. Então, também, através da música, podemos curar corações e mentes. 
 Vejam como o canto coral, tão simples, tão usual, é importante para nossas vidas. A Bíblia diz que uma geração dura 40 anos. Então: um coral gaúcho tem mais de 120 anos. É, sem dúvidas, uma das mais antigas associações brasileiras, seja da indústria, do comércio ou do esporte. Porque dura tanto tempo sem ter fins lucrativos, dependendo da boa vontade de regentes que ganham pouco ou nada e de coralistas dispostos a sair da frente da televisão? 
Uma funcionária de uma empresa gaúcha estava na lista de demissões, em função de seu comportamento errático, baixa produtividade e alta capacidade de atritar-se com colegas e chefias. Entrou para um coral, para não ter de procurar um psicólogo. Aprumou o caráter, mudou o gênio, matou seus fantasmas e, não só garantiu o emprego, como foi promovida.
Outra empresa brasileira queria exportar para a Alemanha, concorrendo com gigantes do mundo em seu setor. No folder que mandou para os importadores constava que ela mantinha um coral. A resposta veio imediata: empresa que mantém um coral para os funcionários deve ser séria, competente e capaz de fazer parcerias a longo prazo. 
Por que falar em corais? Porque estão em férias, mas recomeçam em março e é uma oportunidade ímpar de, sem gastar, podermos frequentar um ambiente sadio, alegre e descontraído. Antes que esqueça: local também de achar namorado(a) e melhorar de emprego. Nada mal hem?


Promotor de Justiça aposentado. Foi professor de direito nas Universidades de Cruz Alta e Novo Hamburgo e professor de história no ensino médio do RS. Envolvido com causas comunitárias, escreve semanalmente para vários jornais do país. Reside em Novo Hamburgo. Email: ivarhartmann@terra.com.br

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