Embora o número real seja muito maior, 530.542 mulheres tiveram coragem de ligar diretamente para a Central de Atendimento à Mulher (por meio do telefone 180) para denunciar violências sofridas este ano, até o mês de outubro. A maioria dessas mulheres tem entre 20 e 40 anos e mora com os agressores no mínimo há dez anos. A violência é presenciada por 66% dos filhos e, no extremo, 20% deles são vitimados junto com suas mães.
Mesmo em estágio inicial, as investigações da Controladoria-Geral da União começam a comprovar a maior parte das denúncias no Dnit e Valec, que derrubaram o ministro dos Transportes Alfredo Nascimento e o ex-diretor Luiz Pagot. No campo de ação da Polícia Federal a situação é semelhante, com propinodutos localizados e surgimento de variantes ainda mais robustas no desvio de dinheiro público. Como estamos no Brasil, o ex-ministro segue posando de senador e o ex-diretor virou consultor de sucesso para empresários que têm negócios com o mesmo Ministério dos Transportes.
Zé Sarney, o “paciente”, afirmou que transferir para o paupérrimo estado que ele tem como curral a conta da guarda e manutenção das quinquilharias que juntou ao longo da vida, numa fundação falida, “é uma das maiores obras de amor e benemerência ao Maranhão”. Imagine o que ele não faz com quem odeia.
Quem andou comemorando a crise nos Estados Unidos pode suspender a bebida. A indústria automobilística, que emprega 2,7 milhões de pessoas e é um dos pilares da economia americana, voltou a rugir seus motores com força. Em relação ao mesmo período de 2010, a Chrysler aumentou 27% das vendas em outubro. A Volkswagen, espantosos 40%. A GM registrou apenas 1,7% de crescimento, mas é um número a comemorar em razão do estado pré-falimentar registrado pela companhia em 2008. A Ford, que não entrou em nenhum programa de ajuda do governo, também registra índices de crescimento animadores. Ao mesmo tempo, os americanos perderam o fascínio pelos carros japoneses.
A negociata do Banco PanAmericano, que envolve uma cifra em bilhões que varia de acordo com quem comenta, tem dois atores principais: Lula da Silva e Silvio Santos. Segundo o jornalista Augusto Nunes, “A queima de bilhões de reais dos pagadores de impostos não foi uma solução de emergência. Foi uma operação criminosa premeditada para livrar da falência o dono de uma rede de TV especialmente útil a caçadores de votos que, para ganhar a eleição, vendem até a mãe [...] o buraco negro do Banco PanAmericano foi escavado em parceria por Lula e Silvio Santos”.
Apesar dos bens bloqueados pela Justiça, o prefeito paulistano Gilberto Kassab vai terminar 2011 com muito a comemorar. Trabalhando em silêncio mineiro ele montou o PSD com números robustos: terceiro partido na Câmara dos Deputados, presente em 4,6 mil municípios, conta 560 prefeitos e 5,9 mil vereadores. Em 2012 poderá estrear no ministério de Dilma Rousseff. O das Cidades já foi oferecido, e o nome de Henrique Meirelles entrou no circuito para disputar a cadeira que hoje pertence a Mário Negromonte.
O grande escudo que o ministro do Trabalho Carlos Lupi está usando para escapar da demissão atende pelo nome de Aécio Neves. Em 2010, Lupi disse a Lula da Silva que estaria com Aécio se ele disputasse a presidência contra Dilma Rousseff. Se importunado, ele poderá conduzir o PDT para apoiar o tucano na próxima eleição presidencial, em 2014. Para evitar riscos, o governo prefere costurar com o partido a substituição de Lupinóquio com o mínimo de traumas.
O ministro Mário Negromonte das Cidades parece não ter gostado de perder o posto de mais próximo da faxina para o ministro da Educação Fernando Haddad. Numa reação espetacular, mandou para as manchetes uma negociata patrocinada em parceria com o governo do Mato Grosso: a troca do sistema BRT, linha rápida de ônibus, pelo famoso VLT-Veículo Leve Sobre Trilhos, a ser instalado na capital Cuiabá. Na maior mão leve, a mudança provoca um acréscimo de R$ 711 milhões na obra. Dificilmente Negromonte será importunado, já que a decisão foi negociada com a participação da ministra do Planejamento Miriam Belchior e do vice-presidente Michel Temer, para cumprir acordo político do governo federal com o governador Sinval Barbosa, do aliado PMDB. De qualquer maneira, Negromonte chorou em solenidade pública na sua Bahia, falou de discriminação contra nordestinos e se disse pronto a renunciar. Tudo pela Copa do Mundo. Da cara de pau!
Depois de se livrar de Orlando Silva, Dilma Rousseff devolveu ao Ministério do Esporte todas as ações relacionadas com a Copa 2014, bem como a APO-Autoridade Pública Olímpica, que haviam sido transferidas respectivamente para o Planalto e para o Ministério do Planejamento.
O ministro do Esporte Aldo Rebelo determinou que, a partir de agora, estão proibidos termos como internet, site e release no ambiente funcional do ministério. Doravante, devem ser substituídos por “rede mundial de computadores”, “portal ou sítio” e “informações para a imprensa”. Santo Deus, o mundo que fala inglês não sabe o que fazer!
A legislação brasileira impede que estrangeiros controlem veículos de comunicação. De uma hora para outra Paulo Henrique Cardoso (filho de FHC) foi parar na mídia porque seria laranja numa emissora de rádio supostamente controlada pela Disney. Por coincidência, a mira foi instalada contra Cardoso no exato momento em que o Ministério Público Federal de São Paulo abriu investigação sobre as atividades do grupo português Ongoing na mídia tupiniquim.
Os patrícios são sócios minoritários da Ejesa – que pertence a Maria Alexandra Vasconcellos, cidadã brasileira por acaso casada com o presidente da Ongoing –, dona de quatro jornais e em vias de entrar no mercado de tevê. Há um caroço agregado nessa nau portuguesa que talvez explique a fonte da fúria denunciativa contra o filhote de tucano que virou amigo do Mickey: o nobre “consultor” Zé Dirceu é um grande aliado negocial da turma do pois, pois, a ponto de empregar a própria namorada Evanise Santos como diretora de marketing institucional da Ejesa.
Identificado com a parte deplorável do regime militar, o deputado Jair Bolsonaro se repetiu no destempero e agrediu covardemente a presidente Dilma Rousseff com insinuações de caráter pessoal. Não pela falta de espírito democrático para aceitar que uma líder da luta armada contra a ditadura tenha hoje o comando institucional do país e a prerrogativa legal de sancionar a criação da Comissão da Verdade. Bolsonaro sabe que, mesmo sem poder de julgamento, a comissão poderá identificar os torturadores e deixá-los à vista da opinião pública.
O local onde está sendo construído o Itaquerão tem uma tubulação subterrânea da Transpetro – subsidiária da Petrobras. Enquanto o remanejamento dos tubos estava pendurado na conta do dinheiro público, o serviço foi orçado em R$ 40 milhões. Decidido que a obra seria paga pelo Corinthians, houve um desconto surpreendente e a fatura baixou para R$ 7 milhões. Os R$ 33 milhões que seriam roubados da sociedade foram salvos aos 45 do segundo tempo. Mas, é bom lembrar, o campeonato ainda não acabou.
O cartunista Ziraldo ficou mal na foto desde que, beneficiado pela Lei da Anistia, recebeu indenização e passou a merecer pensão mensal pelo que sofreu (?) nos porões da ditadura. Agora, foi condenado à prisão pela Justiça Federal do Paraná por fraude de R$ 525 mil no 1º Festival de Humor Gráfico das Cataratas do Iguaçu. A denúncia, que se provou verdadeira, foi feita na organização do evento em 2003, pelo jornalista Hélio Lucas.
Cairo David é desembargador no Rio. Seu carro, dirigido por um tenente bombeiro – que também se disse motorista do Tribunal de Justiça –, foi parado numa blitz da Lei Seca. Diante da ameaça de fuga, um carro da polícia foi utilizado para impedir a passagem. Os dois se recusaram a fazer o teste do bafômetro. Os membros da blitz receberam voz de prisão do desembargador e foram parar na delegacia para dar explicações. E segue Pindorama no seu ritmo de republiqueta de bananas, com seu trânsito assombrosamente mortal.
O brasileiro tanto cedeu, tanto foi condescendente que a figura do empacotador praticamente desapareceu dos supermercados, gerando grande economia para as empresas e sem qualquer desconto visível nas gôndolas. O cliente que exige o serviço termina sendo olhado com antipatia ostensiva por funcionários e boa parte dos outros clientes, como se tivesse obrigação de fazer um trabalho que permanece contabilizado no preço final dos artigos.
O livro Lampião, o mata sete, escrito pelo juiz e pesquisador sergipano Pedro de Morais, sustenta que o rei do cangaço era gay. Segundo o autor, Maria Bonita só entrou no bando para afastar a “má fama” e limpar a barra do valentão das caatingas. Dizem outros pesquisadores, ele era chegado aos bordados e segredos culinários. A família de Virgulino Ferreira da Silva entrou na Justiça e conseguiu impedir o lançamento da obra.
A turnê da ignorância segue firme seu roteiro. Dia desses, um cacique foi abordado por um fiscal do Ibama porque estava usando seu cocar na cabeça. O zeloso barnabé queria saber se o chefe indígena tinha licença para lançar mão daquelas penas todas para seu adorno de autoridade. Diante da óbvia resposta negativa, o silvícola perdeu o penacho e foi multado. O assunto foi parar nos ouvidos de Dilma Rousseff, que mandou avisar ao fiscal que índio usa cocar desde sempre – isso está até nos dicionários. E que cocares são feitos de penas, sem exigência de certificação. Caco Dentão, colosso filosófico do Bar de Ferreirinha, aproveitou o embalo da presidente e mandou confeccionar uma cangalha novinha em folha para presentear o fanático da natureza.